Rojões na Boca do Lobo encerram o Bra-Pel antes do segundo tempo
Árbitro e Brigada Militar apontaram falta de segurança após dois arremessos de rojões e uma briga generalizada; com 0 a 0, o destino dos pontos deve ser decidido pelo TJD-RS.
O clássico entre Pelotas e Brasil pela 13ª rodada da Divisão de Acesso não teve segundo tempo. Na tarde deste sábado (19), na Boca do Lobo, o árbitro Rafael Klein encerrou a etapa inicial em meio a uma confusão e comunicou aos dois clubes, no intervalo, que a partida estava suspensa por falta de segurança. O placar era 0 a 0.
Duas paralisações no primeiro tempo
A primeira interrupção veio aos 30 minutos e deixou o jogo parado cerca de 12 minutos, depois de torcedores do Pelotas lançarem rojões seguidos no gramado. O policiamento entrou em campo para conter a situação, e a partida recomeçou.
Nos acréscimos, outro rojão explodiu perto do lateral Genilson, do Brasil, que chegou a cair. Em seguida começou uma briga envolvendo jogadores das duas equipes, atletas do banco e integrantes das comissões técnicas. Otávio, que estava entre os reservas xavantes, foi expulso; Klein afirmou que analisaria as imagens para avaliar punições a outros atletas.
Ao A Hora do Sul, o árbitro disse que a decisão não coube apenas à arbitragem e que levou em conta a integridade física de todos os envolvidos, em conversa com o responsável pela segurança e com dirigentes dos dois clubes.
Um clube queria seguir; o outro quer os pontos
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Presidente do Conselho Deliberativo do Pelotas, Gabriel Ribeiro contou ao mesmo jornal que foi até o vestiário da arbitragem para tentar garantir a continuidade do jogo, sem sucesso. Ele afirmou que a Brigada Militar entregou um posicionamento oficial contrário à retomada. Em nota nas redes sociais, o clube repudiou o lançamento de objetos por "alguns poucos torcedores" e disse que trabalha para identificar os responsáveis a partir das câmeras do estádio.
Do lado do Brasil, o executivo de futebol Farnei Coelho afirmou ao A Hora do Sul que o time não deu causa à interrupção e que deve ficar com os pontos. Ele descartou uma complementação no domingo e alertou para o calendário: restam ao Xavante dois compromissos até o fim da fase, um na quarta-feira e outro no domingo seguinte. O advogado do clube, Osvaldo Sestário, sustentou em vídeo publicado pelo Brasil que o regulamento manda declarar vencedor o visitante por 3 a 0 quando o mandante não garante segurança.
O que pode acontecer agora
Levantamento do A Hora do Sul sobre o regulamento de competições da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) mostra dois caminhos. O artigo 32 manda completar, no dia seguinte ou em data marcada pelo Departamento de Competições, as partidas interrompidas até os 30 minutos da etapa final — desde que o motivo tenha sido resolvido e nenhum clube lhe tenha dado causa. Já o artigo 31 prevê, com o jogo empatado, derrota por 3 a 0 para quem provocou a suspensão.
A escolha entre os dois depende de julgamento na Justiça Desportiva, para onde seguem a súmula e os relatórios da arbitragem. O Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê ainda multa e perda dos pontos em disputa para o clube responsável, inclusive quando a responsabilidade é da torcida, e perda de um a dez mandos de campo nos casos graves. Como mandante, cabia ao Pelotas pedir policiamento e agir para prevenir desordens.
Até a consulta feita pelo jornal, a página da partida no site da FGF não trazia a súmula nem nova data, e a federação não havia se manifestado. Com os outros resultados da rodada, o Brasil caiu para a nona colocação, com 18 pontos, e o Pelotas está em 11º, com 14. Na quarta-feira, o Lobo visita o Gramadense às 15h e o Xavante recebe o Glória no Bento Freitas, às 19h.
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