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Pesquisa confirma 13 tornados na Zona Sul gaúcha desde 2019

Mais da metade dos casos identificados no Sul do país nasceu de supercélulas, a formação de maior potencial destrutivo; em agosto, um tornado F3 danificou casas em Pedro Osório.

Por Hub News Pelotas

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Imagem ilustrativa: A powerful tornado and vibrant lightning striking over a rural countryside landscape.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Ralph W. lambrecht via Pexels

O tornado que atingiu Pedro Osório em 6 de agosto não foi um caso isolado na região. Ele integra uma contagem que chegou a 13 confirmações na Zona Sul do Rio Grande do Sul entre 2019 e 2026, feita pelo Prevots, projeto que cataloga tempestades severas no Brasil.

Naquele episódio, o fenômeno foi classificado como F3. É a faixa que, na escala Fujita — a régua usada no mundo inteiro, com seis degraus a partir do F0, o mais fraco —, corresponde a ventos acima de 250 quilômetros por hora. O estrago se concentrou no distrito de Matarazzo. Segundo o A Hora do Sul, o levantamento feito pela prefeitura lista nove residências com danos estruturais na zona rural e mais duas na área urbana, algumas delas destruídas por completo, além de galpões, veículos, animais e plantios atingidos.

A nota F3 veio do rastro deixado no chão. O meteorologista Murilo Machado Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), contou ao A Hora do Sul que a equipe em campo encontrou máquinas agrícolas "arremessadas a distâncias bastante significativas"; a partir da velocidade de vento necessária para produzir aquele tipo de destruição, os pesquisadores fecharam a classificação.

A contagem sai de um banco de dados que não é oficial. O Prevots junta universidades e institutos de pesquisa brasileiros e norte-americanos — entre eles a UFSM, o Inpe e a Universidade de Oklahoma — e já reuniu mais de 500 tornados no país ao longo de nove anos.

O recorte do Sul chama atenção pela intensidade. Enquanto no conjunto do Brasil predominam os tipos mais fracos, aqui 51% dos casos identificados nasceram de supercélulas, o tipo de tempestade com maior poder de destruição. A explicação, de acordo com Lopes, está na frequência com que sistemas meteorológicos transientes atravessam o Estado, o que alimenta as tempestades mais fortes.

Sobre o El Niño, o pesquisador foi cauteloso: há tendência de tempo severo mais frequente nesses anos, como em 2026, mas a série montada com metodologia uniforme só começa em 2018 e ainda é curta demais para dizer se os tornados estão ficando mais numerosos.

O fenômeno em si é uma coluna de ar girando em alta velocidade que liga a nuvem de tempestade ao solo, em forma de funil. Ele só aparece quando várias condições atmosféricas coincidem no mesmo instante — e esse encontro é mais comum no Sul do que no resto do país.

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