Última casa da Favela do Moinho é demolida e área dará lugar a parque
Saída do último morador, em 15 de setembro, fechou um processo aberto em abril de 2025 nos Campos Elíseos, onde o governo estadual quer erguer um parque e uma estação de trem.
Depois de mais de um ano de remoções, a Favela do Moinho deixou de existir. O último morador saiu em 15 de setembro: o porteiro Manuel dos Santos, que passou mais de duas décadas no lugar, viu a casa onde vivia ser derrubada no mesmo dia por equipes da CDHU, a companhia habitacional do governo estadual, num terreno onde as obras já haviam avançado.
Era a última comunidade de grande porte da região central da capital. As remoções começaram em abril de 2025 e integram o projeto de requalificação do centro tocado pelo governo do estado, com participação do federal. A área era da União e passou ao estado em maio de 2025, num acordo que exigia desocupação pacífica e o menor impacto possível sobre as famílias.
Para onde foram as famílias
O Moinho abrigava por volta de 850 famílias. Mais de 600 delas já ocupam moradia definitiva, e boa parte do restante segue em imóvel provisório, com auxílio pago mês a mês. Pelo acordo de reassentamento, cada família teve direito a um imóvel quitado de até R$ 250 mil, bancado por uma parceria dos governos federal e estadual. Houve quem preferisse seguir no centro da capital e quem escolhesse outros bairros, cidades do interior ou do litoral paulista.
Parte dos moradores ficou de fora do programa por não atender aos critérios, mesmo depois de anos na comunidade. Eles permaneceram no terreno até a etapa final da remoção, entre entulho e episódios de falta de luz, à espera de uma definição da CDHU.
O que será construído no terreno
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No lugar da favela está previsto o Parque do Moinho, com quadras de esporte, pista de skate e espaço para animais. O projeto inclui ainda uma estação de trem, que atenderia as linhas 10-Turquesa e 11-Coral e foi dimensionada para 25 mil passageiros por dia.
Críticas, confrontos e disputa judicial
A operação é contestada por urbanistas. Segundo a Vejinha, a professora da USP Raquel Rolnik classificou a saída oferecida como "absolutamente inviável": quem morava ali ganha cerca de um salário mínimo e dificilmente consegue financiamento para comprar casa, a única alternativa de moradia colocada à mesa. O secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, defendeu a remoção em entrevista coletiva em 2025, em fala reproduzida pela revista, ao chamar o Moinho de "uma das áreas mais degradantes da cidade" pelas condições de saneamento e estrutura.
O processo também passou por embates com a Polícia Militar. Em maio de 2025, uma demolição escoltada por policiais foi feita sem respeitar o combinado de só derrubar casas vazias, com relatos de gás lacrimogêneo, barricada e gente detida. Em dezembro daquele ano, um morador morreu em um dos confrontos. A pasta da Segurança Pública do estado nega irregularidade e sustenta que tudo foi feito dentro da lei.
Em setembro de 2025, a principal liderança da comunidade, Alessandra Moja, foi presa em operação do Ministério Público, acusada de integrar um grupo criminoso que, segundo a promotoria, atuava com extorsão e tráfico. Movimentos sociais se mobilizaram contra a prisão.
A briga pelo terreno é bem mais antiga. Em 2008, a Justiça reconheceu o usucapião em favor dos moradores. Em 2011, um grande incêndio deixou um morto e mais de 200 famílias sem teto. Em 2024, uma nova decisão derrubou a liminar do usucapião e abriu caminho para o acordo entre União e governo estadual. Os Campos Elíseos, um dos bairros mais antigos da cidade, já receberam vários planos de reabilitação que nunca saíram do papel.
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Leia em outras fontes
- Veja São Paulo — Entenda a desocupação da Favela do Moinho, que chegou ao fim na última semana 21/09/2026
- g1 São Paulo — Desocupação da Favela do Moinho termina após mais de um ano 21/09/2026
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.
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