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Saúde Campinas, SP

HC da Unicamp soma 10 mil transplantes e vê fila travada por leitos

Rim é o órgão mais procurado: dos 29.635 pacientes na fila em São Paulo, 20.417 esperam por um, segundo a Central Estadual de Transplantes; no HC, os procedimentos começaram em 1984.

Por Hub News Campinas

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Imagem ilustrativa: Fachada de entrada do Hospital de Clínicas da Unicamp, com a marquise e o letreiro do prédio.
Foto: Raphael Henrique Figueira via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp chegou a 10 mil transplantes desde 1984, quando realizou o primeiro. As cirurgias de rim lideram a conta, e a unidade está entre as que mais operam no país, segundo o g1 Campinas e Região.

O que trava o ritmo não é a capacidade cirúrgica. Ao g1, o superintendente do hospital, Maurício Etchebehere, afirmou que nenhuma outra região do estado tem tão poucos leitos por habitante quanto a de Campinas, e que a pressão de pacientes graves sobre a urgência e a emergência acaba consumindo as vagas de internação.

O segundo gargalo aparece antes da cirurgia, na captação. Chefe do transplante de fígado do HC, Ilja Boim disse ao mesmo veículo que avisar a família sobre a intenção de doar é o que faz o número de procedimentos crescer.

No coração, a janela é ainda mais estreita. Ao g1, o cirurgião cardiovascular Carlos Lavagnolli explicou que o órgão tolera cerca de quatro horas de isquemia e que, por isso, só 7% dos doadores acabam aproveitáveis para esse tipo de cirurgia. Buscar um coração longe do centro transplantador, com logística complicada, costuma consumir esse prazo.

A fila estadual dá a dimensão do problema. Dos 29.635 pacientes que aguardam um órgão em São Paulo, 20.417 precisam de rim — o dado é da Central Estadual de Transplantes.

Entre quem saiu dessa lista está a aposentada Antônia Smanazzo, paciente que marcou os 10 mil procedimentos. Ao g1, ela contou que a rotina mudou por completo ao deixar as sessões de hemodiálise e as restrições alimentares que vinham com elas. O pintor Antônio Costa Filho, que passou oito anos em hemodiálise antes de receber um rim, disse ao veículo que a cirurgia lhe devolveu a possibilidade de trabalhar.

Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) afirmou que São Paulo lidera os transplantes no país e que houve alta de 15% nos procedimentos no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2022. A pasta citou o TransplantAR, programa que leva órgãos de graça em aeronaves privadas, o reajuste de 80% pago às filantrópicas pela captação na Tabela SUS Paulista e campanhas permanentes sobre o tema.

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