Produtores estimam perda de mais de 80% e safra de pêssego perto de zero
A associação que reúne os pomares da região calcula que a colheita pode ficar abaixo de dez milhões de quilos, contra 50 milhões no ano passado, e pede prazo maior para pagar os financiamentos.
O pêssego da região de Pelotas caminha para a menor colheita de que se tem registro. Os primeiros números levantados depois do temporal de segunda-feira (21) apontam produção praticamente toda perdida, ao fim de uma sequência de extremos climáticos.
Ao A Hora do Sul, o presidente da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), Adriano Bosenbecker, estimou queda superior a 80% em relação ao ano passado. A conta é esta: a região colheu pouco mais de 50 milhões de quilos da fruta na temporada anterior e pode não chegar a dez milhões agora. Ele diz que o número piora a cada semana e tende a zero.
Confirmada a projeção, será o menor volume desde que a Embrapa passou a acompanhar a produção pelotense, em 1975. O piso da série até aqui é 1994, quando a região ficou entre 22 e 23 milhões de quilos.
O estrago não para na fruta que ninguém vai colher. Bosenbecker aponta o granizo como principal responsável pelos danos às árvores e afirma que os pomares vão precisar de recuperação, inclusive das folhas, para que haja o que colher no ano que vem.
O que os produtores pedem
Com a comunicação e o acesso a algumas propriedades ainda prejudicados pelo temporal, a associação já discute socorro com o poder público. São três pedidos: prorrogação dos financiamentos, adiamento das parcelas de custeio e a criação de um fundo que permita pagar em quatro ou cinco anos. Boa parte dos produtores banca a lavoura com recursos próprios, segundo o presidente, e não teria como absorver num ciclo só o prejuízo de uma safra assim.
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