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Sobre Pelotas

Pelotas, Rio Grande do Sul

Foto: Parzeus via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Pelotas é o principal município da Zona Sul do Rio Grande do Sul, à beira do Canal São Gonçalo e da Lagoa dos Patos, a cerca de 250 km de Porto Alegre. Cresceu com as charqueadas do século XIX e é conhecida pela tradição doceira, reconhecida pelo Iphan como patrimônio imaterial do Brasil, e pela Fenadoce.

Pelotas em números

Distância da capital
250 km Prefeitura de Pelotas – Pelotas Turismo

História

O registro mais antigo sobre a origem do município é de junho de 1758, quando o Conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade, doou ao coronel Thomáz Luiz Osório terras junto à Lagoa dos Patos. Em 1763, a área serviu de refúgio a moradores de Rio Grande que fugiam da invasão espanhola.

A virada econômica veio em 1780, quando José Pinto Martins instalou a primeira charqueada, estabelecimento que salgava e secava a carne bovina. Em torno dessa atividade se formou o povoado, que em 7 de julho de 1812 virou a Freguesia de São Francisco de Paula, por iniciativa do padre Pedro Pereira de Mesquita. A freguesia chegou a vila em 7 de abril de 1832 e, em 1835, a cidade, já com o nome de Pelotas.

O nome vem das pelotas, pequenos barcos feitos de varas de corticeira e forrados de couro, usados para atravessar os rios na época das charqueadas. O charque vendido ao Nordeste voltava em forma de açúcar nos navios, e daí nasceu a doçaria que marca a cidade até hoje.

Em 15 de maio de 2018, o Conselho Consultivo do Iphan reconheceu ao mesmo tempo o Conjunto Histórico de Pelotas como patrimônio material e as tradições doceiras da região como patrimônio imaterial do Brasil, segundo a prefeitura a primeira vez que o instituto registrou as duas categorias num mesmo pedido.

Geografia e clima

O município ocupa 1.608,78 km², segundo o IBGE, no extremo sul do Brasil. A sede fica à margem do Canal São Gonçalo, que liga a Lagoa Mirim à Lagoa dos Patos, e a cidade tem sua orla lacustre no Laranjal, a 12 km do Centro, voltada para a Lagoa dos Patos.

O Laranjal reúne vários balneários — Santo Antônio, Valverde, Novo Valverde, dos Prazeres, Pontal da Barra, a orla do Totó e a Colônia Z3 — e se formou a partir do loteamento da antiga Estância do Laranjal nos anos 1950. O nome lembra os pomares de laranja e outras frutas cítricas que havia ali no século XIX.

O clima da região é acompanhado desde 1º de maio de 1888 pela Estação Agroclimatológica de Pelotas, hoje mantida pela Embrapa Clima Temperado, pela UFPel e pelo Inmet, uma das séries de observação mais longas do país.

Economia

Depois do charque, a economia pelotense se diversificou. Segundo a prefeitura, o município tem a segunda maior concentração de curtumes do estado e uma das maiores capacidades de curtimento de couros e peles do Brasil, além de tradição no cultivo de pêssego e aspargo e da maior bacia leiteira gaúcha. O comércio e os serviços atendem toda a Zona Sul.

O doce também é negócio: a Fenadoce movimenta a cidade todos os anos. A pesquisa agropecuária tem peso próprio, com a sede da Embrapa Clima Temperado na região.

Pelos dados do IBGE, o PIB per capita de Pelotas foi de R$ 38.322,06 em 2023, e o salário médio dos trabalhadores formais foi de 2,8 salários mínimos em 2021.

População

O Censo 2022 contou 325.685 moradores em Pelotas, o que a mantém entre as cidades mais populosas do Rio Grande do Sul. A população cresceu bastante entre 1991 (291.100) e 2000 (323.158), avançou pouco até 2010 (328.275) e ficou praticamente estável desde então. A estimativa do IBGE para 2025 é de 336.150 habitantes.

A formação da cidade mistura as heranças portuguesa, africana — ligada ao trabalho escravizado nas charqueadas — e europeia, sobretudo alemã na zona rural. É essa mistura que a própria Fenadoce apresenta na sua doçaria.

Bairros e regiões

Desde a Lei 5.490, aprovada em 2008 com o terceiro Plano Diretor, a área urbana se divide em sete regiões administrativas, que na prática funcionam como os grandes bairros da cidade: Centro, Fragata, Barragem, Três Vendas, Areal, São Gonçalo e Laranjal. A região São Gonçalo reuniu a antiga área do Porto e da Várzea, onde a cidade começou.

A zona rural tem oito distritos: Colônia Z3 (2º), Cerrito Alegre (3º), Colônia Triunfo (4º), Cascata (5º), Colônia Santa Silvana (6º), Quilombo (7º), Rincão da Cruz (8º) e Colônia Monte Bonito (9º).

Cultura e tradições

Pelotas é a terra do doce. Os bem-casados, quindins, doces de ovos, figos em calda e as frutas cristalizadas vêm de uma tradição que o Iphan inscreveu em 2018 no Livro dos Saberes, abrangendo também Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu, a chamada Antiga Pelotas.

A Fenadoce, a Feira Nacional do Doce, nasceu em 1986; foi bienal até 1995, quando a CDL Pelotas passou a organizá-la todo ano. Em 2019 virou patrimônio histórico e cultural do estado por lei, e naquele ano, segundo a prefeitura, recebeu 246 mil visitantes. A 32ª edição foi de 15 de julho a 2 de agosto de 2026.

O Conjunto Histórico tombado inclui a Chácara da Baronesa, a Charqueada São João, o Parque Dom Antônio Zattera e as praças José Bonifácio, Coronel Pedro Osório, Piratinino de Almeida e Cipriano Barcelos. No Laranjal, fevereiro é mês das festas de Nossa Senhora dos Navegantes e de Iemanjá.

Como chegar

Pelotas fica no encontro de três rodovias federais: a BR-116, que leva a Porto Alegre (cerca de 250 km, segundo a prefeitura), a BR-392 e a BR-471, rumo à fronteira com o Uruguai, a cerca de 135 km. Rio Grande está a 47 km, São Lourenço do Sul a 72 km, Bagé a 229 km e o Chuí a 266 km.

O Aeroporto Internacional de Pelotas – João Simões Lopes Neto (PET), no bairro Três Vendas, é administrado pela CCR Aeroportos desde 2022. Foi ali que Antoine de Saint-Exupéry pousou em 1928, nas rotas da Aéropostale. A rodoviária municipal, administrada pela Eterpel, funciona desde 1982 na Avenida Presidente João Goulart.

Fontes

Texto atualizado em 25 de setembro de 2026.