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Segurança Londrina, PR

Família de Murilo Dias contesta leitura de laudos feita pela defesa dos guardas

Advogada Aline Capocci diz que a necrópsia não fixa a ordem dos três tiros e aponta relatos diferentes, em registros oficiais, sobre como o adolescente de 15 anos estaria com a arma.

Por Hub News Londrina

3 min de leitura

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Imagem ilustrativa: Imagem dramática em tons de cinza de colunas greco-romanas contra um céu nublado.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Lupus Fox via Pexels

A advogada da família de Murilo Dias, adolescente de 15 anos morto em Londrina em 31 de julho numa ocorrência envolvendo guardas municipais, contestou a forma como os laudos do caso foram interpretados publicamente pela defesa dos agentes. Em nota de esclarecimento publicada pela Folha de Londrina, Aline Capocci afirma que trechos da investigação foram apresentados de um modo que pode levar a leituras diferentes do que registram os documentos periciais.

O texto responde a declarações do criminalista Claudio Daledone, advogado dos guardas, sobre os laudos necroscópico e papiloscópico, publicadas pelo jornal em 8 de setembro.

Sequência dos tiros

Murilo foi atingido por três disparos. Segundo Capocci, a expressão "primeiro disparo", usada antes na explicação do laudo necroscópico, indicava só a ordem em que os trajetos foram analisados, e não a ordem em que os tiros ocorreram. "O exame médico-legal não estabelece a sequência temporal dos tiros", diz a advogada, que ressalta que a dinâmica segue sob investigação.

De acordo com a necrópsia, os três projéteis cruzaram o corpo da esquerda para a direita. Dois seguiram das costas para a frente, e só um fez, levemente, o caminho inverso. O tiro que atingiu o braço esquerdo e depois atravessou o tórax está entre os de trajeto das costas para a frente.

A advogada reconhece, porém, que os trajetos não bastam para dizer onde estava o atirador: seria preciso considerar a postura e a rotação do corpo de Murilo no instante dos disparos, além de outras provas periciais. Na avaliação dela, o mesmo vale para os dois projéteis calibre 9 mm encontrados no assoalho dianteiro esquerdo do carro e para a marca de impacto no console central, que sozinhos não explicam a dinâmica.

Revólver e socorro

Sobre o laudo papiloscópico de um revólver calibre 22 enviado à perícia, Capocci aponta que o exame, feito em 31 de julho às 21h20, não revelou impressões digitais. Para ela, esse resultado não identifica nem descarta quem pode ter manuseado a arma, e o documento nem sequer informa a técnica aplicada ou as superfícies analisadas.

A advogada também diz que os documentos não mostram que Murilo tenha sido retirado do veículo para ser socorrido. O boletim de ocorrência e o Formulário de Recognição Visuográfica registram que o que se retirou de perto dele foi a arma, porque o adolescente ainda mostrava sinais vitais e a equipe temia pela própria segurança.

Relatos diferentes

Capocci destaca uma contradição sobre o momento anterior aos tiros. Pelo boletim, Murilo resistiu a sair do carro e pegou uma arma que estava na cintura; o formulário de recognição, em três trechos, afirma que ele desceu "com a arma na mão". Para a advogada, a divergência precisa ser esclarecida, e a versão de que o adolescente sacou uma arma deve ser tratada como relato dos agentes, não como fato provado.

Em resposta publicada pela Folha de Londrina, Daledone classificou as observações como "especulações advindas de impressões" e disse que a família tenta "criminalizar a conduta legítima da ação". Para ele, os argumentos não têm sustentação técnica, nem médico-legal nem de balística forense.

Capocci afirma que a intenção não é antecipar conclusões, mas fazer com que os documentos sejam expostos conforme o que contêm e que as divergências sejam resolvidas antes de qualquer versão ser tomada como verdade.

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