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Golpe faz aparecer no celular o nome e o número de um parente da vítima

A técnica é chamada de spoofing e falsifica apenas o identificador de chamadas, sem invadir nem clonar o aparelho de quem tem o número de telefone usado pelos criminosos.

atualizado em 10/09, 18:11 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Close-up de uma pessoa segurando um smartphone exibindo a tela de uma chamada recebida.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: cottonbro studio / Pexels

Atender uma ligação porque a tela mostra o nome de alguém conhecido deixou de ser garantia de nada. Criminosos estão conseguindo escolher qual número e qual nome aparecem no identificador de quem recebe a chamada, e o que surge no visor pode ser o de um parente, de um banco ou de um órgão público, sem que eles tenham qualquer acesso a essa linha.

O nome dessa falsificação é spoofing. Ao g1, o professor de Ciência da Computação Renato Bobsin Machado explicou que os golpistas alugam uma central telefônica equipada com programas maliciosos, e é ali que editam o número exibido antes de disparar a ligação. Como o contato já está salvo na agenda de quem atende, a chamada passa por legítima.

Para descobrir quem ligar para quem, contou Machado ao g1, eles se apoiam em bases de dados vazadas ao longo dos anos por redes sociais, empresas e serviços de crédito. Depois cruzam o telefone com perfis abertos na internet, onde comentários e marcações revelam com facilidade quem são os parentes, os amigos e os colegas de trabalho da pessoa.

Existe ainda um caminho menos comum. Aplicativos baixados fora das lojas oficiais podem ler a agenda telefônica do aparelho e repassar esses contatos, disse o professor na mesma entrevista.

O caso de Foz do Iguaçu

A autônoma Cláudia Simone da Silva de Oliveira soube que sua linha estava sendo usada quando um parente recebeu uma chamada com o nome e o telefone dela no visor. Ao atender, ele ouviu uma música e, em seguida, uma mensagem avisando que havia ganho um prêmio.

Desconfiado, ele fotografou a tela e procurou Cláudia para conferir. Ao g1, ela relatou que não havia feito ligação nenhuma, e que o print realmente trazia o seu número e o seu nome. O celular dela não foi clonado e continuou funcionando normalmente. O que os criminosos alteraram foi só o que o outro aparelho mostrava.

Não é caso isolado no estado. No início de setembro, a Polícia Civil de Foz do Iguaçu alertou que golpistas estavam ligando usando o número oficial da delegacia, episódio mostrado pela RPC.

Ao g1, o professor avaliou ainda que a fraude tende a ficar mais convincente com o uso de inteligência artificial, que permite imitar a voz de uma pessoa a partir de áudios que já circulam por aí.

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