Embargo europeu à carne pode custar US$ 392 milhões por ano ao Paraná
A conta soma o que o estado vendeu ao bloco em frango e carne bovina no ano passado, e o preço interno não deve cair, porque a Europa responde por só 5% das exportações paranaenses.
A suspensão das compras de carne brasileira pela União Europeia começou a valer em 3 de setembro e pode tirar mais de US$ 392,2 milhões por ano da economia paranaense, conforme levantamento divulgado pelo Bem Paraná. O cálculo junta o que a avicultura e a pecuária de corte do estado deixariam de faturar com o bloco.
A referência é o desempenho de 2025. Naquele ano, o Paraná embarcou para a Europa 118,7 mil toneladas de carne de frango, que renderam US$ 382 milhões. A carne bovina teve peso bem menor: 1,4 mil tonelada e US$ 10,2 milhões.
O ritmo de 2026 vinha na mesma linha. Só no primeiro semestre, os dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária, apontam 78,7 mil toneladas de frango vendidas ao bloco, no valor de US$ 224 milhões, e 643 toneladas de carne bovina, por US$ 4,6 milhões.
E o preço no açougue?
Quem espera carne mais barata por causa do embargo deve se decepcionar. O mercado europeu absorve 8% de tudo o que o Brasil exporta em carnes, e no caso paranaense a fatia é ainda menor, de 5%. Volume nessa proporção não sobra a ponto de derrubar o valor nas prateleiras.
O problema, segundo o setor, é outro. Ao Bem Paraná, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que muitos países usam o cumprimento das exigências sanitárias europeias como critério para decidir de quem compram, e que perder essa referência custa mais do que o negócio em si. Para ele, o bloco funciona como vitrine do agronegócio brasileiro.
A restrição foi anunciada em maio e alcança mel, tripas, equinos, itens de aquicultura e as carnes de frango e bovina. Como o Paraná lidera a produção e a exportação nacional de frango, é a avicultura que tende a sentir mais o golpe. O produto paranaense chega hoje a mais de 150 países.
Em 9 de junho, a federação enviou ofício ao ministério pedindo providências para evitar a suspensão, argumentando que o sistema sanitário do país e do estado é sólido.
Obrigado. Vamos verificar.
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