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Economia Brasil

Banco Central corta Selic para 13,75% e não indica o rumo dos juros até dezembro

Quinto corte seguido leva a taxa básica ao menor nível desde março de 2025; Copom projeta IPCA de 5,2% em 2026 e diz que o alívio no crédito não chega inteiro nem de imediato ao consumidor.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Banco Central do Brasil
Foto: Алексей Крашенинников via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Os juros básicos do país caíram pela quinta reunião seguida. Nesta quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano — o patamar mais baixo desde março de 2025. Em janeiro, a taxa estava em 15%. O corte já era esperado pelo mercado.

A decisão veio depois de o IPCA, a inflação oficial, registrar queda de 0,32% em agosto. Em 12 meses, o índice acumula 4,22%, abaixo do teto de 4,5% da meta.

Como o BC lê a economia

Para o comitê, a atividade perde fôlego aos poucos, sobretudo nos setores mais cíclicos, e o mercado de trabalho segue aquecido. A inflação cheia e as medidas subjacentes desaceleraram, mas continuam acima da meta.

No cenário de referência do Copom, o IPCA termina 2026 em 5,2%, cai para 3,9% em 2027 e chega a 3,2% no primeiro trimestre de 2028, horizonte que o colegiado usa para decidir. Os economistas do boletim Focus projetam 4,9% neste ano e 4,3% no próximo, ante 5,0% e 4,2% em agosto.

Sem pista para os próximos passos

Restam duas reuniões no ano: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. O comitê não antecipou o que fará. Um levantamento do Metrópoles, que comparou os comunicados, mostra que a nota desta quarta repete a de agosto nos trechos sobre o futuro.

O Copom reafirmou que o tamanho total do chamado ciclo de calibração dependerá das novas informações, e que o quadro de incerteza elevada e expectativas desancoradas pede serenidade e cautela. Acrescentou que a decisão, sem abrir mão da estabilidade de preços, também ajuda a suavizar as oscilações da atividade e a favorecer o emprego.

Riscos para os preços

O comitê vê riscos maiores que o normal nas duas direções, mas com mais peso para a alta. Listou quatro fatores que podem pressionar os preços: expectativas fora da meta por mais tempo, alimentadas por choques do petróleo e do clima sobre a produção agrícola e a energia; inflação de serviços mais resistente; câmbio persistentemente mais fraco; e estímulos ao consumo que acelerem a economia além de sua capacidade.

Do lado da baixa, citou três: desaceleração doméstica mais forte que a prevista, freada global provocada por choques de comércio e do petróleo, e queda no preço das commodities. No exterior, apontou ainda os conflitos no Oriente Médio e as dúvidas sobre os juros nas economias avançadas.

O que muda no bolso

No mesmo dia, o Federal Reserve elevou os juros americanos de 3,75% para 4%, segundo o ND Mais. Ao portal, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, disse que o preço de um empréstimo depende também de risco, prazo, garantias e inadimplência, e que por isso um corte de 0,25 ponto não chega inteiro nem de imediato a quem toma crédito. André Caruso, da Pilar Capital, afirmou ao ND Mais que o efeito aparece primeiro no custo de captação dos bancos, depois no crédito às empresas e só por último no poder de compra do consumidor.

Para quem investe, aplicações atreladas à Selic ou ao CDI tendem a render menos à medida que os juros caem. A poupança segue regras próprias de remuneração e continua rendendo.

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