STJ suspende despejo do Espaço Petrobras de Cinema, que ocupa casarão na Augusta
Relator Teodoro Silva Santos deu efeito suspensivo a recurso de quem administra o cinema e citou a proteção do imóvel pelo Conpresp; o processo ainda não tem julgamento definitivo.
Quem administra o cinema que funciona ao lado do Café Fellini, no centro da capital, conseguiu barrar por ora a retomada do imóvel pela incorporadora que o comprou. Na sexta-feira (11), o ministro Teodoro Silva Santos, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), atendeu a um recurso dos gestores do Espaço Petrobras de Cinema e deu efeito suspensivo à reintegração de posse do endereço na Augusta.
A ordem de despejo havia partido do próprio STJ e começou a ser cumprida em maio. Na ocasião, oficiais de justiça foram ao local e levaram parte dos móveis e equipamentos. Projetores, telões e poltronas permaneceram, porque o recurso apresentado pelo cinema impediu que a retirada fosse concluída.
Proteção do patrimônio pesou na decisão
Ao analisar o pedido, o relator apontou que a incorporadora deixou de mencionar, no recurso dela, fatos posteriores considerados relevantes. Um deles é o enquadramento do imóvel como Zona Especial de Preservação Cultural pelo Conpresp, o conselho municipal responsável pelo patrimônio histórico, cultural e ambiental. O outro é uma liminar, concedida em ação civil pública, que proíbe demolir ou modificar o espaço protegido. O processo segue sem julgamento definitivo, e ainda cabem recursos.
Disputa começou com a venda do imóvel
Publicidade
A ação foi proposta pela Rec Villa 15 Empreendimentos Imobiliários, que comprou o imóvel em 2022 com o plano de erguer ali um empreendimento. Em março de 2023, o anexo do cinema foi reconhecido como zona de preservação cultural, e a construtora ficou obrigada a manter as salas de exibição como fachada ativa do futuro prédio comercial e residencial.
O Conpresp chegou a liberar a demolição do casarão, construído na década de 1930, com a condição de que as salas continuassem funcionando como espaço de produção cultural. Em dezembro de 2024, porém, a Justiça suspendeu esse parecer.
Também em março de 2023, a curadoria do cinema, então com 28 anos de funcionamento, cogitou encerrar as exibições por causa do processo. A primeira liminar favorável acabou mantendo as salas em atividade.
Duas ações ainda precisam ser julgadas para definir se o cinema fica: a privada, em que o despejo foi autorizado num primeiro momento, e outra, coletiva, na qual atua o MP paulista.
Ao Estadão, a gestão do cinema disse que só vai se manifestar nos autos. O jornal informou que procurou os advogados da incorporadora e aguardava retorno.
- Espaço Petrobras de Cinema
- Rua Augusta
- Reintegração de posse
- STJ
- Conpresp
- Patrimônio histórico
- Café Fellini
- Cinema de rua
Encontrou alguma informação incorreta?
Nos ajude a manter o conteúdo correto.
Publicidade
Comentários
para comentar.
-
denúncia enviada
Nenhum comentário ainda.
Excluir seu comentário?
Ele sai da matéria para todo mundo, e não dá para voltar atrás.
Imagens dos leitores
Ainda não há fotos desta publicação. Se você esteve lá, mande a sua.
Enviar foto
É preciso entrar para enviar uma foto. A conta serve para registrar a cessão de uso e o crédito.
Leia em outras fontes
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.
Publicidade