Iphan tomba capela do Ipiranga com painéis de Volpi e jardim de Burle Marx
A decisão do conselho do órgão federal alcança também as 46 peças do acervo e os galpões da antiga Unilabor, e fixa limite de altura para prédios novos na vizinhança do templo.
A Capela do Cristo Operário, erguida na Vila Brasília Machado, no Ipiranga, passou a ter proteção federal. O pedido foi aprovado na terça-feira (22) pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, durante a 114ª reunião do colegiado, e o conjunto entrou nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes. A decisão é do Iphan, órgão federal do patrimônio histórico e artístico, e vai além do templo: alcança o acervo de bens móveis e integrados e os prédios que sobraram da antiga Fábrica Unilabor.
O templo saiu da adaptação de um armazém industrial, ao qual foram acrescentados torre sineira, marquise, presbitério e sacristia. Ele nasceu colado à Unilabor, fábrica de móveis criada nos anos 1950 em regime de autogestão por iniciativa do frei dominicano João Batista, que reunia operários em torno de uma produção mais igualitária. Na avaliação registrada no processo, foi ali que a arquitetura religiosa brasileira encontrou pela primeira vez a linguagem moderna.
O inventário protegido reúne 46 peças feitas sob medida para o lugar. Alfredo Volpi assina os vitrais dos quatro evangelistas, na nave, e as três têmperas do altar. Da sacristia saem o vitral de Geraldo de Barros — que também desenhou móveis fabricados pela própria Unilabor — e o afresco "Caminho de Emaús", de Yolanda Mohalyi, reencontrado no restauro feito entre 2006 e 2008, autora ainda das têmperas do batistério. Elisabeth Nobling fez a pia batismal, os castiçais e seis luminárias de cerâmica; esculturas e objetos litúrgicos de Robert Tatin, Giuliana Segre Giorgi, Moussia Pinto Alves e Giandomenico de Marchis completam o conjunto.
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A proteção foi desenhada em dois graus. A capela, o muro e o portão da frente e o jardim ao lado ficam preservados por inteiro, com recomendação expressa de devolver ao paisagismo o traçado original de Roberto Burle Marx. Nos galpões que restaram da fábrica e na Casa do Capelão, residência onde morou o frei, o que se preserva são as fachadas e o volume — por dentro, os prédios podem ser adaptados a usos culturais ou comunitários.
As regras alcançam ainda quem for construir ao lado. Um estudo de insolação anexado ao dossiê técnico fixa altura máxima para novas edificações na vizinhança, para que a sombra delas não feche a entrada de luz pelos vitrais nem favoreça umidade na estrutura. Também ficou vedado o uso de estacas cravadas por percussão em fundações, no próprio lote e nos terrenos contíguos, medida destinada a proteger a construção histórica durante obras próximas.
Nas esferas municipal e estadual a capela já era tombada desde 2004, por resoluções do Conpresp e do Condephaat. Ao defender que a proteção federal também viesse, o relator do processo, Eduardo Pierroti Rossetti, afirmou ser "imperioso" tombar o conjunto não só para que a comunidade pratique sua fé, mas para resgatar o que o bem representa "como perspectiva de país", segundo o g1.
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Leia em outras fontes
- g1 São Paulo — Capela no Ipiranga é tombada pelo patrimônio federal 23/09/2026
- Veja São Paulo — Capela no Ipiranga ganha tombamento federal 23/09/2026
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.
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