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Educação Campinas, SP

Série da Unicamp reconstitui as caronas que levavam Paulo Freire a Campinas

A Faculdade de Educação lança, nos 105 anos do educador, uma série de vídeos em que o professor César Nunes refaz ao volante o trajeto que percorria com ele entre Perdizes e o campus.

Por Hub News Campinas

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Imagem ilustrativa: Vista de uma rua da cidade de dentro de um carro, mostrando a vida urbana e o transporte.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Ricardo Oliveira via Pexels

A Faculdade de Educação da Unicamp estreou no YouTube a série "Conduzindo Paulo Freire", feita para marcar os 105 anos de nascimento do educador. São vídeos curtos, e o primeiro episódio já está disponível.

O fio da série é uma lembrança pessoal do professor César Nunes. Ainda mestrando, ele passou cerca de um ano e meio buscando Freire em casa, no bairro paulistano de Perdizes, e levando-o até o campus. As gravações o põem outra vez ao volante, dirigindo por Campinas enquanto reconta o que se passava dentro do carro — as conversas, os encontros na faculdade e as miudezas do caminho.

O nome brinca com "Conduzindo Miss Daisy", filme de 1989, e a opção de gravar quase tudo dentro do automóvel coloca quem assiste no banco do passageiro: a cidade corre pela janela enquanto a memória preenche o resto. É daí que saem episódios que documento nenhum registraria, como a vez em que Freire quis parar a viagem para falar da poesia da água de coco vendida na entrada de Barão Geraldo.

A convivência começou em 1980, quando o educador voltou ao país depois de 16 anos de exílio. Nunes era um dos estudantes que foram esperá-lo em Viracopos e, no relato divulgado pela Carta Campinas, viu Freire deixar o grupo de autoridades, subir numa cadeira e dizer: "Estou aqui para reaprender o Brasil. Não vim para ensinar nada". Meses depois, o vice-diretor da faculdade encarregou o estudante de buscá-lo em São Paulo nos dias em que não havia ônibus para a universidade — tarefa cumprida num Gol branco, pela Anhanguera.

Dez anos na universidade

Freire deu aulas na Faculdade de Educação entre 1981 e 1991, ligado ao departamento que hoje se chama Decise, com disciplinas sobre educação e movimentos sociais. Em 2019, o prédio principal da unidade passou a levar o nome dele, por proposta de estudantes do mestrado profissional, apoiada por centenas de assinaturas e aprovada sem votos contrários pela Congregação.

Patrono da Educação Brasileira desde 2012, ele assina "Pedagogia do Oprimido", livro que um levantamento da London School of Economics apontou como a terceira obra mais citada das ciências humanas.

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