Famílias Warao entram no auxílio-moradia, e o MP cobra prazo da Prefeitura
O benefício de R$ 605 mensais começa a ser pago em 13 de outubro, mas o Ministério Público diz que a ordem judicial só se cumpre quando as famílias saírem do imóvel insalubre.
As famílias indígenas Warao que vivem há dois anos num imóvel do Jardim Nova Esperança, em Campinas, foram incluídas no programa municipal de auxílio-moradia. O benefício é de R$ 605 por mês, pago por 12 meses e sujeito a reavaliação ao fim desse período, e os pagamentos começam em 13 de outubro — é a partir daí que passa a correr o prazo para que elas procurem outro endereço.
O plano foi apresentado por representantes do município numa reunião de segunda-feira (21) com o Ministério Público de São Paulo, a Defensoria Pública e lideranças da comunidade. Ficaram acertadas ainda a avaliação técnica das adaptações que o novo imóvel exige, como divisórias, a limpeza do espaço e o transporte dos moradores, além da criação de um comitê permanente para formular políticas públicas voltadas à população indígena.
Quantas pessoas estão no local é o ponto em que as duas coberturas não coincidem: o g1 Campinas fala em 85 migrantes de 26 famílias; a VTV, em cerca de 100 indígenas de 24 núcleos familiares, de bebês a idosos.
O que o Ministério Público contesta
A Prefeitura sustenta ter atendido a decisão judicial ao cadastrar as famílias e produzir relatórios sociais. O MPSP discorda: para o órgão, isso é etapa preparatória e não equivale a cumprir a ordem. Como o dinheiro ainda não foi pago e ninguém saiu do imóvel, a promotoria pediu à Justiça que o município tenha 30 dias para apresentar uma proposta concreta de acordo e comprovar o apoio às famílias até o fim da mudança.
Segundo o g1, a promotora Cristiane Hillal avaliou que a apresentação do plano representou um avanço, e a expectativa agora está na análise das condições do imóvel que deve receber o grupo. A reportagem do portal esteve no galpão na quarta-feira (23), mas não conseguiu entrar: os Warao temiam que a visita atrapalhasse as negociações em andamento.
O município informou também que as famílias foram incluídas ou atualizadas no Cadastro Único e que as acompanhadas pelo Serviço de Abordagem Social recebem o Bolsa Família.
Dois anos num imóvel insalubre
Por mês, conforme o g1, a comunidade paga de R$ 5,5 mil a R$ 6 mil entre aluguel, água e luz — e o espaço que ocupa é descrito na ação civil pública como precário. A renda vem sobretudo do artesanato produzido e vendido pelas mulheres e do trabalho de parte dos homens adultos, alguns em empresas terceirizadas de limpeza.
A Promotoria de Justiça Cível de Campinas soube da situação em abril de 2025, segundo a VTV, e em maio um relatório técnico apontou cerca de cem pessoas sem condições adequadas de moradia na Rua Dr. Ricardo. Sem solução, o caso virou ação civil pública em julho. A Defensoria acompanha o grupo pelo núcleo de igualdade racial e povos tradicionais desde março de 2026, a pedido da 24ª Promotoria de Justiça.
Originários do delta do rio Orinoco, no nordeste da Venezuela, os Warao organizam a vida em torno da convivência comunitária, com tarefas divididas entre os adultos e a língua, as músicas e os mitos transmitidos entre gerações dentro da moradia coletiva.
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Leia em outras fontes
- G1 Campinas e Região — Após ação do MP, Campinas inclui famílias de indígenas venezuelanos no auxílio-moradia 24/09/2026
- VTV News — Ratos e falta de saneamento marcam moradia de indígenas Warao em Campinas 25/09/2026
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