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Cultura Porto Alegre, RS

Livreiro Peter Dullius, fundador do sebo Beco dos Livros, morre aos 76

Economista de formação, ele comprou uma pequena livraria na rua General Vitorino em 1992 e transformou o negócio numa rede de sebos que chegou a sete lojas no Centro de Porto Alegre.

Por Hub News Porto Alegre

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Imagem ilustrativa: Livraria vintage com pilhas de livros usados
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Beyzaa Yurtkuran via Pexels

Morreu na quarta-feira (23), aos 76 anos, o livreiro João Pedro Dullius — o Peter, para quem frequenta os sebos do Centro Histórico de Porto Alegre. Ele comandava o Beco dos Livros havia mais de três décadas. Segundo o Agora RS, não houve informação sobre a causa da morte, e a despedida para cremação ocorreu na tarde do mesmo dia, no Crematório Metropolitano.

O Beco nasceu de um classificado de jornal. Em 1992, Peter e a então mulher, Neiva Maria, compraram uma pequena livraria na rua General Vitorino, num ponto tão apertado e comprido que já vinha sendo chamado de beco — o apelido virou marca.

Dali a operação cresceu e chegou a sete endereços. Hoje são três lojas: nas ruas dos Andradas, Riachuelo e General Câmara. A da Andradas, vizinha da Casa de Cultura Mario Quintana, era onde o dono ficava com mais frequência.

Autores gaúchos de volta

Uma marca do trabalho de Peter era a caça, em sebos de outros estados, a obras de escritores gaúchos que tinham sumido das prateleiras do Rio Grande do Sul. Os exemplares voltavam para o acervo da Capital. Em entrevistas, ele calculava que o Beco passava de 300 mil itens — livros, gibis, revistas e CDs —, dos quais cerca de 130 mil catalogados. Não era um sebo de raridades: ele defendia estoque largo, de preços e assuntos variados, e via na circulação do livro usado o essencial do ofício.

Filho de Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, Peter conheceu os livros na biblioteca do internato em que estudou, em Estrela. Formou-se em Economia na UFRGS e passou por bancos de desenvolvimento antes de viver do comércio de livros. Dos três filhos — Guilherme, Melissa e Gustavo —, Guilherme entrou no negócio e dividia com o pai a administração e as viagens de garimpo. O livreiro foi presença constante na Feira do Livro da Capital por décadas.

Nos últimos anos o sebo passou pela pandemia e pela enchente de maio de 2024: a água não entrou na loja da rua dos Andradas, que mesmo assim ficou semanas fechada, mas atingiu parte do estoque guardado em depósitos.

Em nota divulgada pela livraria, o Beco dos Livros afirmou que Peter "dedicou parte importante de sua vida aos livros, aos sebos e, principalmente, às pessoas".

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