Disputa entre facções por pontos de tráfico espalha ataques no Rio Branco e no Niterói
Ataques em duas madrugadas seguidas deixaram um morto e jovens baleados em Canoas; a Polícia Civil liga os crimes à disputa entre um grupo da capital e uma facção do Vale dos Sinos.
Dois ataques a tiros, um na madrugada de domingo (13) e outro na de segunda-feira (14), deixaram um homem morto e outras pessoas feridas nos bairros Rio Branco e Niterói, em Canoas. Segundo a Polícia Civil, em informações publicadas pelo Diário de Canoas, os crimes fazem parte de uma disputa entre duas organizações criminosas pelo controle de pontos de venda de drogas. Desde o início de setembro, a violência na cidade se concentra nesses dois bairros — no último dia de agosto, eles registraram três assassinatos em 24 horas.
O ataque de domingo ocorreu na Avenida Engenheiro Irineu Carvalho de Braga, no Rio Branco. Um homem de 42 anos morreu. Outro, de 29, foi atingido no rosto e continua internado, entubado. A polícia informou que os dois tinham antecedentes e pertenciam à facção do Vale dos Sinos.
Horas depois, na Rua João Marques, no Niterói, quatro jovens de 15, 16, 17 e 19 anos foram baleados na saída de uma comemoração. Os atiradores estavam em um carro vermelho. Dois deles tiveram ferimentos superficiais, e os de 15 e 16 anos seguem hospitalizados em estado grave, conforme a atualização do hospital. De acordo com a polícia, os dois mais velhos integram uma facção.
Quem está por trás
Ao Diário de Canoas, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Canoas relatou que um grupo criminoso vindo da zona sul de Porto Alegre se estabeleceu na cidade, ocupou parte do Niterói e agora tenta tomar pontos de tráfico do Rio Branco, dominados há anos por uma facção do Vale dos Sinos. Cada investida provoca a retaliação do lado atacado. Uma fonte ligada à polícia ouvida pelo jornal apresentou outra leitura para os tiros no Rio Branco: seriam obra de ex-integrantes da própria facção do Vale dos Sinos, expulsos depois de acusados de traição e em busca de vingança.
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Em ações feitas com o 15º Batalhão da Polícia Militar, a delegacia prendeu ao menos seis integrantes do grupo de Porto Alegre e oito da facção do Vale dos Sinos. Novas operações estão previstas dentro do protocolo do Departamento Estadual de Homicídios. Em entrevista ao Diário de Canoas, a delegada Graziela Zinelli, titular da delegacia, afirmou que os ataques giram em torno do tráfico e que a polícia trabalha para encerrar o conflito.
Medo nos bairros
As polícias identificaram que o grupo da zona sul da capital espalha áudios e vídeos pelas redes sociais para intimidar os moradores. Ao Diário de Canoas, uma vendedora de 42 anos que vive perto da Avenida Irineu Carvalho de Braga, e que pediu para não ser identificada, contou que proibiu os dois filhos de sair à noite. Ela disse ter recebido pelo WhatsApp mensagens anunciando toque de recolher e fotos de mortos que, soube depois, não eram de Canoas.
O comandante do 15º BPM, tenente-coronel Fernando Meirelles, disse ao jornal entender a apreensão da comunidade. Segundo ele, desde o começo do mês o patrulhamento recebeu reforço da Força Tática, do Batalhão de Choque, de equipes em motocicletas e de policiais que normalmente atuam no administrativo. O reforço abrange Rio Branco, Niterói, Fátima e Mato Grande.
Não é a primeira vez que os dois bairros vivem um confronto desse tipo. Em 2017, uma guerra entre quadrilhas nos primeiros meses do verão terminou com pelo menos 15 homicídios na região.
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