Integração fora dos terminais e 250 elétricos: a nova concessão do ônibus de Curitiba
Prefeitura e BNDES apresentaram a empresas o projeto de R$ 3,9 bilhões; as propostas serão entregues em 17 de novembro, enquanto as atuais operadoras ainda disputam os contratos na Justiça.
No novo modelo de concessão do transporte coletivo de Curitiba, o passageiro com cartão-transporte da Urbs poderá trocar de linha num ponto comum da rua, sem entrar em terminal ou estação-tubo e sem pagar outra tarifa, desde que a troca aconteça dentro de um intervalo de tempo definido. Isso só passa a valer quando a nova rede estiver implantada e com as regras de operação fixadas.
O projeto foi mostrado na semana passada pela prefeitura e pelo BNDES a empresas e investidores. Segundo a Urbs, mais de cem pessoas acompanharam o encontro virtual, entre operadoras de transporte, empresas de eletromobilidade e técnicos que montaram a modelagem. O banco ainda fará reuniões individuais com interessados, que podem pedir horário até 23 de outubro.
Calendário da licitação
O edital já saiu. As empresas entregam propostas em 17 de novembro, e a abertura, em sessão pública na B3, em São Paulo, será no dia 26. Quem vai operar as linhas depende do resultado dessa concorrência.
O que o contrato prevê
O contrato é de 15 anos, com R$ 3,9 bilhões em investimentos, a maior parte em frota. A rede foi dividida em cinco lotes. Dois são estruturais, BRT1 e BRT2, com expressos, Linhas Diretas e Ligeirões; quem vencê-los também cuidará das estações-tubo, das plataformas elevadas dos terminais e da recarga elétrica desses serviços. Os outros três são regionais e reúnem alimentadoras, convencionais e linhas de bairro. Tudo segue integrado, sob gestão da Urbs, no novo Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), sucessor da Rede Integrada de Transporte.
A frota elétrica deve chegar a 250 veículos até 2031, a partir de 2027; 90 precisam estar rodando quando a nova operação começar. Pela conta da prefeitura, em 2031 eles devem oferecer perto de um terço dos lugares do sistema. A recarga contará com eletropostos públicos em dois bairros, Capão da Imbuia e Capão Raso. A prefeitura prevê subvenção estimada em R$ 893,6 milhões, sobretudo para comprar os elétricos e instalar a recarga. Somando operação, investimentos e remuneração das empresas, o serviço custará cerca de R$ 18,75 bilhões em 15 anos, segundo a Urbs.
O pagamento às concessionárias poderá ter descontos conforme o estado dos ônibus, o cumprimento da operação e a nota dos passageiros. A tarifa cobrada do usuário continua sendo decidida pelo município.
A disputa com as operadoras atuais
Os contratos em vigor começaram em 2010 e, em agosto de 2025, foram prorrogados até 31 de dezembro de 2026. As empresas que operam hoje defendem renegociá-los, com investimentos novos e o cálculo de um possível desequilíbrio acumulado. Um primeiro estudo da Fipecafi chegou a um valor potencial máximo de R$ 584,5 milhões de passivo regulatório; a Urbs sustenta que o número não é dívida reconhecida e depende de premissas ainda não comprovadas. A Justiça derrubou a proibição de publicar o edital, mas manteve a ordem de seguir com os estudos sobre os contratos atuais.
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