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Saúde São Paulo

Drogas desconhecidas aparecem na saliva de frequentadores de festas em SP

Análise de saliva colhida anonimamente em festas do estado achou duas substâncias parecidas com a cetamina que os próprios usuários não sabiam estar consumindo, e o caso virou alerta nacional.

Por Hub News

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Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: PublicDomainPictures via Pixabay

Duas substâncias químicas parecidas com a cetamina foram encontradas em saliva de pessoas que frequentavam festas no estado de São Paulo — e quem as consumiu não sabia disso. A detecção levou o CiaTox, centro de toxicologia ligado à Unicamp, a registrar um alerta rápido no Sistema de Alerta Sobre Drogas mantido pelo governo federal, no início deste mês. Segundo o centro, é a primeira vez no mundo que a desclorocetamina, a DCK, aparece em exame de saliva. Junto dela foi detectada a 2-fluorodesclorocetamina, conhecida pela sigla 2-FDCK.

As amostras vêm do Projeto Baco, que recolhe fluido oral de voluntários em festas e baladas sem identificar ninguém. De 2023 a 2025 foram visitados 14 eventos em três estados: os paulistas, além de dois no Sul e no Nordeste — Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. Ao todo, 1.565 amostras já passaram pelo laboratório. A cetamina, anestésico de uso médico, apareceu em 360 delas — 23% do total. A DCK foi identificada em 48 amostras, e a 2-FDCK, em 19.

O risco de não saber o que se consome

Em duas das quatro notificações enviadas ao sistema federal, os participantes disseram ter tomado apenas "bala" ou "MD", nomes associados ao MDMA, mas a análise achou cetamina ao lado dos dois análogos. Para o CiaTox, essa combinação pode amplificar as alterações de percepção e agravar o risco à saúde. As três substâncias produzem efeito dissociativo, com quadros de alucinação, agitação, taquicardia, pressão alta e queda no nível de consciência. No caso da 2-FDCK, o alerta cita registros de intoxicação grave, internação e morte, em situações de uso de vários compostos ao mesmo tempo.

Como DCK e 2-FDCK não são subprodutos da cetamina no organismo, a indicação é de que foram misturadas de propósito antes de chegar a quem consumiu, explicou ao Estadão Náthaly Bueno, pesquisadora do CiaTox e doutoranda em Farmacologia na Unicamp. Ela disse que o centro não revela a cidade nem o evento onde as amostras foram colhidas, por causa do compromisso de anonimato assumido com os voluntários. Potência, duração e metabolismo dessas moléculas em seres humanos, segundo o centro, ainda são pouco conhecidos.

Como o alerta chega ao poder público

O Sistema de Alerta Sobre Drogas funcionou em caráter experimental até 2023 e passou a ser permanente no ano passado, por ato do Ministério da Justiça. Dele participam laboratórios criminais e laboratórios de universidades e do SUS, além da Polícia Civil, da Polícia Federal, do Ministério da Saúde e da própria pasta da Justiça. Quando um deles notifica uma substância nova, o sistema emite avisos que orientam as ações de prevenção e vigilância do poder público. Em nota, a secretaria nacional de políticas sobre drogas afirmou que acompanha o caso e que o próprio alerta reconhece serem limitadas as informações disponíveis sobre a toxicidade dessas substâncias.

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