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Carbono Oculto chega ao Banco Genial e a holdings abertas com R$ 1 mil

A terceira fase da operação cumpriu 27 mandados em sete estados e mira empréstimos que, para o Gaeco, bancaram a compra de uma distribuidora de combustíveis por um grupo ligado ao PCC.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Caminhão-tanque em estrada rural, transportando líquido.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: dimitrisvetsikas1969 via Pixabay

O Ministério Público de São Paulo levou a Operação Carbono Oculto ao mercado financeiro. Na quinta-feira (24), a terceira fase da apuração cumpriu 27 mandados em sete estados e alcançou um ex-diretor do Banco Genial e um delator do Banco Master. Segundo o g1, o Gaeco — núcleo do Ministério Público paulista voltado ao crime organizado — sustenta que ambos ajudaram a esconder o patrimônio de um grupo que a Promotoria associa ao PCC no setor de combustíveis.

A investigação, feita junto com a Secretaria da Fazenda estadual, descreve um circuito fechado de dinheiro. A Usina Itajobi, controlada pelos investigados, teria aplicado R$ 176 milhões em um fundo administrado pelo Genial; o fundo comprou CDBs emitidos pelo próprio banco; e esses títulos serviram de lastro a empréstimos concedidos a empresas registradas em nome de laranjas, sustentam os promotores.

Holdings de mil reais, negócios de milhões

Duas dessas empresas, a Berna e a Branson Holdings, foram abertas no mesmo 4 de setembro de 2024, cada uma com capital social de R$ 1 mil — um mês antes da primeira operação, registra a decisão judicial. Pelos autos, a Berna emitiu uma cédula de crédito bancário de R$ 60,5 milhões, valor que teria bancado a compra das cotas de um fundo. A Branson emitiu outra, de R$ 99,8 milhões, numa operação que, para os investigadores, se destinaria à aquisição de uma atacadista do ramo; e é ela que o Ministério Público aponta como compradora da distribuidora Terrana.

Uma terceira companhia, a 7Seven, aberta em janeiro de 2025 também com R$ 1 mil de capital, teria servido de camada extra de ocultação depois dessa compra, pagando gente ligada ao grupo. Por ela passaram ao menos R$ 2,2 milhões.

O grupo de WhatsApp da nova gestão

Trechos das mensagens extraídas de celulares apreendidos, divulgados pelo g1, mostram na leitura do Gaeco quem decidia de fato na distribuidora. Um grupo criado no fim de 2024 reunia os responsáveis pelas áreas financeira, contábil e administrativa — e também Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", que os investigadores apontam como participante ativo da gestão. O empresário apresentado como comprador da Terrana escreveu ali que precisava continuar aparecendo, para que a aquisição seguisse parecendo dele.

Outro alvo é Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", que firmou delação com a Procuradoria-Geral da República no caso do Banco Master. Entre 2020 e 2025, ele apareceu 570 vezes como ganhador em comunicações sobre prêmios e apostas encaminhadas ao Coaf, num total de R$ 176,4 milhões. Os promotores suspeitam que terceiros faziam os jogos e os prêmios caíam em contas de empresas dele, como etapa de reciclagem do dinheiro.

O que dizem os citados

O Banco Genial afirma que Humberto Arthur Tupinambá Neto — o executivo que, segundo o Ministério Público, levou o grupo para a instituição — foi destituído em maio de 2026 e não integra mais a diretoria nem o quadro de sócios. A apuração trata de fatos anteriores a essa data. As defesas de Mourad e de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", informaram que eles não foram alvos da operação de quinta-feira e desconhecem os fatos em investigação.

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