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Mendonça autoriza investigação de Flávio Bolsonaro por verba de Vorcaro a filme

Decisão do ministro do STF, tomada em julho e revelada agora, apura suspeita de lavagem, evasão de divisas e corrupção no custeio de "Dark Horse"; o senador nega irregularidades.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Arquitetura modernista do Supremo Tribunal Federal, Brasília sob céus azul claro.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: FILIPE COELHO / Pexels

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, passou a ser investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A apuração, autorizada pelo ministro André Mendonça, trata do dinheiro que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, destinou à produção de "Dark Horse", filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem reproduzida pelo portal HojePR.

Mendonça tomou a decisão em julho, mas ela só se tornou conhecida depois que parte do sigilo foi retirada do inquérito que examina as fraudes imputadas a Vorcaro e as ligações dele com políticos em Brasília.

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade na obtenção dos recursos. Segundo o Estadão, a defesa do senador foi procurada para se manifestar.

O que dizem os relatórios da PF

Os relatórios da Polícia Federal sobre o financiamento do filme detalham mensagens trocadas entre o senador e o banqueiro, apontam possíveis encontros presenciais e examinam a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação do dinheiro, segundo a Agência Brasil, em texto publicado pela Gazeta Guarapuava. Pelos documentos, Flávio pediu R$ 131 milhões a Vorcaro, e cerca de R$ 60 milhões teriam sido pagos. Em áudios divulgados antes pelo Intercept Brasil, o valor mencionado era de R$ 134 milhões.

A primeira troca direta de mensagens registrada pela PF é de 20 de agosto de 2025: os dois combinam uma data, e o senador avisa em seguida que está a caminho. Para a polícia, isso indica que pode ter havido uma reunião presencial naquele dia. O relatório cita outras ocasiões possíveis. Em setembro, o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário dos repasses, teria dito a Vorcaro que Flávio queria tratar do filme pessoalmente; em outubro, o senador convidou o banqueiro para um jantar com a equipe da produção, marcado para 6 de novembro. Miranda já havia cobrado Vorcaro, em agosto, por parcelas atrasadas.

Em 8 de setembro de 2025, num áudio, o próprio Flávio voltou a reclamar dos atrasos e disse temer o efeito de um calote em nomes do cinema americano, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Em 16 de novembro, véspera da Operação Compliance Zero, o senador tentou telefonar para o banqueiro e, depois, escreveu que estaria ao lado dele e pediu: "Só preciso que me dê uma luz!".

Disputa pela relatoria

Há no STF duas frentes que olham para o financiamento do filme. Uma, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, examina o uso de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora. A outra, conduzida por Mendonça, acompanha os desdobramentos do caso Master, e é dentro dela que corre a apuração sobre o senador.

De acordo com a Agência Brasil, a defesa de Flávio tentou quatro vezes, entre 3 e 29 de julho, tirar de Dino e passar a Mendonça a investigação sobre as emendas. Dois pedidos foram dirigidos ao presidente do STF, Edson Fachin, e dois ao próprio Dino. Os advogados argumentaram que Mendonça já relatava cinco dos seis procedimentos abertos sobre o filme — só a Petição 16.070 estava com Dino —, afirmaram que a distribuição a ele criou uma "prevenção artificial" e sustentaram que o caso não deveria estar ligado à ADPF 854, a ação sobre o orçamento secreto. Mendonça chegou ao Supremo por indicação de Jair Bolsonaro.

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