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Política São Paulo, SP

Polícia vê indício de fraude em contrato de Wi-Fi da Prefeitura de SP com ONG

Relatório da Polícia Civil aponta faturas sem nota fiscal no acordo de R$ 108 milhões com o instituto de Karina Gama, produtora do filme Dark Horse, que já havia sido questionado pelo TCM.

Por Hub News São Paulo

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Imagem ilustrativa: Roteador wireless branco com quatro antenas emitindo luz suave azul e rosa.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels

O contrato de R$ 108 milhões que a Prefeitura de São Paulo assinou com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalar pontos de Wi-Fi gratuito em bairros da periferia está no centro de uma investigação da Polícia Civil. Os detalhes foram publicados pelo Metrópoles, que teve acesso aos documentos do inquérito tornados públicos neste domingo (13) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

O instituto pertence a Karina Ferreira da Gama, também dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse. Uma das hipóteses dos investigadores é que parte do dinheiro pago pela prefeitura tenha ido para a produção do longa. O ICB aparece ainda nas apurações sobre suposto desvio de emendas parlamentares atribuídas ao deputado federal Mário Frias.

Segundo o relatório policial citado pelo Metrópoles, o ICB subcontratou a Make One Tecnologia Digital, por R$ 36 milhões, para alugar equipamentos, e apresentou na prestação de contas quatro faturas de R$ 8,5 milhões dessa empresa sem nota fiscal emitida e, portanto, sem pagamento de impostos municipais. Os papéis têm numeração seguida, mesma data de emissão e de vencimento e valores divididos, o que a polícia interpreta como sinal de montagem para disfarçar saídas de dinheiro. O Metrópoles informou que procurou a Make One.

A contratação já tinha sido contestada pelo Tribunal de Contas do Município, que apontou mais de 20 problemas no chamamento público de junho de 2024, em que o ICB foi o único participante. Um deles era se uma ONG seria adequada para um serviço técnico de telecomunicações; a prefeitura respondeu que escolheu a entidade pela experiência de atuação comunitária em áreas de difícil acesso. Esses questionamentos foram revelados pelo The Intercept em dezembro de 2025.

O preço também chama atenção. De acordo com a reportagem, a Prodam, empresa de tecnologia do próprio município, cobraria R$ 230 por ponto instalado, enquanto cada ponto do contrato com o ICB saiu por R$ 1,8 mil, mais de sete vezes mais. A gestão municipal argumentou que a Prodam não pode atuar em ambientes privados.

O inquérito, que resultou na Operação WiFi Livre em junho, também registra a demora da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia em responder à polícia. Em 31 de março, os investigadores pediram a cópia completa do processo e os nomes dos servidores que fiscalizaram o contrato e liberaram os pagamentos. O ofício chegou à pasta em 13 de abril e seguia sem resposta em 20 de maio. A 2ª Delegacia de Crimes contra a Administração ficou então encarregada de identificar esses agentes e de chamar Karina Gama para depor.

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