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Segurança São Paulo, SP

Operação sobre ônibus da capital prende ex-chefe da SPTrans e busca Milton Leite

A Vectura Corrupta cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca; o Ministério Público aponta 12 das 22 viações da cidade como controladas pelo PCC, e a Prefeitura mandou afastar a diretoria da A2.

Por Hub News São Paulo

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Imagem ilustrativa: Vista aérea do paisagem urbana de São Paulo com uma rodovia movimentada, rio e paisagem urbana em um dia claro.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: fabianoshow4 via Pexels

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, terceira fase da apuração sobre a presença do PCC no transporte coletivo paulistano. Foram 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Além da cidade de São Paulo, a ação alcançou Diadema, São Bernardo do Campo e Santana de Parnaíba, na região metropolitana, e Cubatão, Praia Grande e Santos, no litoral.

Preso na ação, Levi dos Santos Oliveira já comandou a SPTrans. Milton Leite, ex-vereador do União Brasil que passou décadas no Legislativo paulistano e hoje preside o diretório estadual do partido, teve prisão temporária de 30 dias decretada por Sérgio Ribas, desembargador do Tribunal de Justiça paulista. Ele não foi localizado e passou a ser tratado como foragido.

Na decisão que autorizou a ofensiva, Ribas registrou que "salta aos olhos" o apontamento de que 12 das 22 companhias do transporte coletivo paulistano estariam, na prática, sob controle da facção. As investigadas atendem as linhas de bairro, o chamado subsistema local, que reúne 6.029 dos 13.690 ônibus da frota municipal. Entre elas estão Transwolff, A2 Transportes, Alfa Rodobus e Auto Bless.

Leite é descrito na decisão como "dono oculto e de fato" da Transwolff. No celular de José Daniel Satilite, apontado como integrante da facção, a polícia encontrou áudios em que o nome do ex-vereador aparece numa negociação para trocar uma viação atingida pela Operação Fim da Linha. Por nota, ele negou as acusações, disse estar viajando, afirmou não ser foragido e prometeu se apresentar em até 24 horas. A Transwolff sustenta que ele nunca foi sócio nem mandou na empresa, e classifica a intervenção municipal como ilegal e arbitrária.

Oliveira é servidor de carreira: entrou na companhia em 1991, por seleção pública, chegou ao comando em 2020, por indicação do prefeito Bruno Covas, e ficou no posto até o começo de 2025, com passagem pela Secretaria Municipal de Mobilidade. Os investigadores dizem que ele se encontrava com regularidade com alguém apontado como elo da facção, para cuidar de assuntos das viações, sobretudo depois da Fim da Linha. A defesa alega ausência de antecedentes e décadas de trabalho no serviço público da cidade. Ao Estadão, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse ter recebido a prisão "com bastante surpresa" e afirmou nunca ter ouvido falar de envolvimento dele em situação do tipo.

A Prefeitura informou que o transporte funcionou normalmente durante o dia e que não compactua com irregularidades. Nunes montou um grupo de trabalho que reúne a SPTrans, a Controladoria e a Procuradoria do município e a pasta municipal de Mobilidade; o colegiado mandou afastar, no prazo de um dia, os diretores da A2 Transportes, sob risco de intervenção. Procurada, a Auto Bless respondeu que não vai se manifestar por não ter acesso aos autos.

A apuração nasceu longe dos ônibus: tudo começou em 2023, quando cerca de 40 quilos de drogas foram apreendidos em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Antes desta quinta-feira, o Ministério Público já havia deflagrado a Fim da Linha, em abril de 2024, que atingiu Transwolff e UPBus — as duas acabaram perdendo os contratos com a Prefeitura.

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