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Política São Paulo, SP

Jockey Club negocia aporte do BTG para sair de dívida com a Prefeitura de SP

O presidente do hipódromo afirmou à CPI da Câmara Municipal que o banco deve aportar quase R$ 200 milhões; a Prefeitura cobra R$ 905.349.836,85 do clube em impostos atrasados.

Por Hub News São Paulo

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Imagem ilustrativa: Entrada de carros do Jockey Club de São Paulo, rua Doutor José Augusto de Queiroz, São Paulo (SP), Brasil
Foto: Juliafavero via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Jockey Club de São Paulo negocia com o BTG Pactual um aporte inferior a R$ 200 milhões para reformar o hipódromo da Cidade Jardim, na zona sul. A informação foi dada pelo presidente do clube, Vicente Renato Paolillo, em depoimento no dia 8 à CPI da Câmara Municipal que apura o uso de verbas públicas pela entidade, segundo o Estadão. Procurados pelo jornal, clube e banco não comentaram.

Pelo que Paolillo apresentou aos vereadores, o dinheiro seria aplicado em novas áreas de lazer e piscinas, aproveitando o espaço ocioso do clube — são 600 mil metros quadrados ocupados desde 1941 por quatro pistas, restaurantes e áreas verdes. Os sócios já aprovaram a parceria: em assembleia de 19 de agosto, foram 115 votos a favor, um contra e um em branco, num quadro de cerca de 300 associados.

O acordo é apresentado pelo clube como saída para a dívida municipal. Só em impostos atrasados, a Prefeitura de São Paulo cobra R$ 905.349.836,85 da entidade, que aparece na 14.ª posição entre os maiores devedores da capital. O IPTU responde por volta de R$ 500 milhões desse total; o ISS, por R$ 300 milhões, e o que sobra vem de outras cobranças. Em nota ao Estadão, a gestão municipal afirmou que há processos de execução fiscal em curso contra o clube, movidos na esfera judicial.

O clube contesta a cobrança há anos e sustenta que deveria ser isento, alegando que a área é de proteção ambiental e quase toda tombada. Em março de 2025, pediu recuperação judicial por causa de outra dívida, de R$ 19 milhões, com prestadores de serviço e trabalhadores. O pedido foi autorizado em primeira instância, mas um credor questionou se uma associação sem fins lucrativos pode recorrer ao instituto; em abril de 2026, a segunda instância do TJ-SP acolheu esse entendimento, e ainda cabe recurso.

Sobre o terreno pesa ainda uma lei aprovada pela Câmara e sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) que prevê transformar o hipódromo em parque municipal, com desapropriação em razão das dívidas. A previsão nasceu de emenda do então presidente da Câmara, Milton Leite (União Brasil), na revisão do Plano Diretor de 2023. Ao Estadão, Nunes condicionou seu apoio à parceria com o banco: "Se não tiver um parque aberto para população, não vou aceitar".

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