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Meio ambiente São Paulo, SP

Climatologista do Cemaden vê risco de calor forte e alerta para o Cantareira

José Marengo diz que o El Niño entrou na fase muito forte e pode chegar ao pico entre dezembro e janeiro; com o Cantareira abaixo de 40%, a falta de chuva traria risco de crise hídrica.

Por Hub News São Paulo

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Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Johnny2Toes via Pixabay

O reservatório que abastece boa parte da Grande São Paulo é o ponto que mais preocupa o climatologista José Marengo diante do El Niño deste ano. Em entrevista à Veja São Paulo, o coordenador de pesquisa do Cemaden, o centro federal de monitoramento de desastres naturais, lembrou que o Sistema Cantareira está com menos de 40% da capacidade. Se vierem ondas de calor nos próximos meses sem chuva suficiente, disse ele, a região corre risco de crise hídrica.

Marengo comparou com os episódios de 2015 e 2024, quando a transposição de água do rio Paraíba do Sul ajudou a evitar o desabastecimento. Para ele, os efeitos vão além do tempo: "o El Niño não é só um fenômeno atmosférico, é socioeconômico", afirmou, citando o preço dos alimentos, a conta de água e a saúde.

Segundo o pesquisador, o aquecimento medido na área do Pacífico chamada Niño 3.4 bateu 2,1 °C em setembro, o que já classifica o fenômeno como muito forte. A intensidade máxima, perto de 3 °C, pode ser atingida em dezembro ou janeiro. Ele criticou o rótulo de "El Niño monstro", que atribui a modelos extremos tomados como previsão.

Para o Sudeste, Marengo disse que o sinal sobre a chuva ainda não está claro, mas a tendência de temperatura já aponta para calor intenso e ondas de calor no verão. Ele também não descarta tempestades severas com deslizamentos no Litoral Norte, na Serra do Mar e na Baixada Santista, apontadas como as áreas mais vulneráveis do estado. O que pede mais atenção, segundo ele, é o calor combinado com seca em partes de São Paulo.

O climatologista observou ainda que há estudos ligando a intensidade de eventos recentes, como as chuvas de maio de 2024 no Sul, tanto ao El Niño quanto ao aquecimento global.

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