Cálculo errado da prefeitura livrou Milton Leite de pagar R$ 426 mil
As duas multas ambientais de 2010 foram quitadas em 2022 sem a correção monetária exigida pela lei municipal, segundo o Metrópoles; o processo foi encerrado e o erro nunca passou por revisão.
A Prefeitura de São Paulo deixou de receber R$ 426 mil ao encerrar a cobrança de duas multas ambientais do ex-vereador Milton Leite (União). O valor final foi fechado sem a correção monetária que a legislação municipal e o próprio despacho da administração exigiam, segundo apuração da coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
A quitação saiu em 2022, quando Leite presidia a Câmara Municipal. Quem a assinou foi um comissionado ligado ao PP e lotado na pasta do Verde e Meio Ambiente: ele aplicou o desconto de 10% previsto no despacho, mas ignorou a atualização do valor — exigência que constava de todos os documentos que embasaram a cobrança. O processo foi encerrado assim, e o erro nunca passou por revisão.
As punições haviam sido aplicadas em 2010, em nome do então vereador, por infrações cometidas numa área de proteção ambiental, em trecho de Mata Atlântica no extremo sul da capital. Somavam R$ 3,9 milhões à época — o equivalente a cerca de R$ 9,7 milhões em valores de hoje.
A quantia que deixou de ser cobrada corresponde a dois anos do salário que ele recebia como vereador. Acusado de ligação com o PCC, o ex-vereador foi detido na semana passada e continua preso.
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