Alagamento no Jardim Pantanal chega ao quarto dia e atinge moradias na Zona Leste
A água ocupa as vias do bairro desde sábado (12), depois de temporal que elevou o Tietê; 12 famílias foram para abrigo em escola estadual, e a Prefeitura diz bombear água em cinco ruas.
Quem mora no Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, chegou nesta terça-feira (15) ao quarto dia consecutivo com as ruas inundadas. A água se acumulou no sábado (12), quando a chuva fez subir o Rio Tietê, e desde então não baixou; em parte das casas, já chegou aos cômodos.
Mesmo com a manhã de terça começando sem chuva, o cenário se manteve. Na Rua Tietê e na esquina da Salsa Parrilha com a Anuja, perto do Itaim Paulista, moradores tinham de cruzar trechos com água para conseguir chegar ao trabalho. Na véspera, com a volta da chuva, o bairro já passava de 60 horas com vias submersas.
Móveis perdidos e famílias fora de casa
Em relatos ao g1, moradores descreveram prejuízos. Luís disse ter perdido cama, guarda-roupa e roupas depois que a sala e a garagem foram tomadas. Eberson contou que a água chegava aos joelhos diante do portão e que saiu para trabalhar deixando em casa os três filhos e a mulher, que está doente. Adilson levou à esposa uma troca de roupa para ela se limpar ao alcançar um ponto seco, e disse que ninguém esperava enchente em setembro. Josiane relatou que a rotina de terapia das duas filhas foi afetada, que o marido ficou em casa para suspender os móveis e que os caminhões de lixo não entraram na rua.
Cerca de 45 mil pessoas vivem no bairro, grande parte em trechos que o Tietê costuma invadir nas cheias. Há moradores que deixaram as casas e outros que ficaram ilhados. Doze famílias estão acolhidas na Escola Estadual Cristina de Castro Paes, a menos de 3 km do bairro. Ao g1, Érica Libano disse ter medo de abandonar o imóvel, porque, segundo ela, no ano passado casas vazias foram saqueadas e até botijões de gás sumiram. No sábado, a equipe náutica da Guarda Civil Metropolitana precisou fazer resgates.
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O que diz a Prefeitura
Segundo o g1, a Prefeitura informou que a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) bombeia a água nas ruas Tietê, Serra de Apodi, Tite de Lemos, Antônio Dias Moura e Serra do Grão Mongol, que serão limpas em seguida. A operação começou só na segunda-feira porque, com o rio ainda alto, o volume retirado voltaria para o bairro. A Sabesp emprestou equipamentos de bombeamento.
A administração também disse que o pôlder do bairro, localizado na Vila Seabra, está pronto e teve as bombas ligadas no fim de semana, e que a região conta ainda com um piscinão na Vila Itaim e outro pôlder no Jardim Romano. Pelo Plano Recupera Pantanal, 789 famílias saíram de áreas de risco desde dezembro de 2025, e o investimento de R$ 59,8 milhões inclui novas galerias, asfalto em 10,4 km de ruas, um muro de gabião com cerca de 845 metros na beira do rio e 1.400 mudas nativas. A assistência social (SMADS) cadastrou 1.021 famílias e distribui insumos.
Moradores contestam o ritmo das obras. Anderson Silva afirmou ao g1 que as ruas recebem asfalto nos dias secos, mas sem galerias pluviais nem bueiros, e chamou a situação de "tragédia anunciada".
De acordo com a Defesa Civil, a capital teve no sábado o maior volume de chuva do país em um dia: o Mirante de Santana, estação do Inmet na cidade, marcou 75,4 mm. O acumulado de setembro chegou a 198,2 mm até as 9h daquele dia, o quarto maior da série histórica, e só fica atrás, em 2026, dos 256,4 mm de janeiro.
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