Bar de Guarulhos e vendedor são denunciados por bebida com metanol
A 16ª Promotoria de Justiça acusa o dono da Budega Acopiara e um distribuidor de envolvimento na venda da vodca com metanol; laudo pericial apontou perda permanente da visão de um comerciante.
Segundo o g1, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra o dono de um bar de Guarulhos e contra um homem apontado como vendedor de bebidas clandestinas. A acusação, protocolada nesta sexta-feira (25) pela 16ª Promotoria de Justiça de Guarulhos, aponta envolvimento dos dois na venda de bebida adulterada com metanol que, de acordo com a investigação, intoxicou gravemente um comerciante. Cabe agora à Justiça analisar a peça, e só a partir daí os dois podem passar a responder como réus.
De acordo com o Ministério Público, o proprietário do estabelecimento conhecido como Budega Acopiara já havia sido indiciado pela Polícia Civil, que apontou depósito e venda de bebidas adulteradas; na peça da promotoria, ele responde por envolvimento na venda. O outro acusado, Gilmar Silva dos Santos, é apontado como quem distribuiu e entregou ao consumo as garrafas. Há pelo menos quatro outros inquéritos sobre vítimas de metanol em que o nome dele aparece.
O caso que originou a denúncia
A investigação aponta que o comerciante Claudio Crespi consumiu uma vodca em 27 de setembro de 2025, depois de passar pelo bar. O quadro de intoxicação por metanol foi grave e exigiu internação, e um laudo pericial concluiu que ele ficou permanentemente sem visão.
Ele foi levado à UPA da Vila Maria, na capital, onde uma médica levantou a suspeita de metanol e o paciente acabou entubado. A unidade não tinha o antídoto. Em entrevista ao g1 na época, a advogada Camila Crespi, sobrinha do comerciante, relatou esse percurso e disse que a saída estava na casa dela: uma garrafa de vodca russa de 40% de teor alcoólico, guardada como enfeite pela família havia cinco meses, que ajudou a salvar a vida do tio.
A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) orientou dar a bebida por sonda nasogástrica, um "protocolo reconhecido e utilizado em situações emergenciais". O antídoto do metanol é o próprio etanol, e a pasta ressalvou, em nota, que ele precisa ser administrado dentro de um serviço de saúde, para travar a transformação do metanol em substâncias tóxicas no organismo.
Procurados pela TV Globo, o dono do bar e Gilmar não responderam aos questionamentos até a última atualização da reportagem do g1. A versão dos dois sobre a acusação não aparece no material publicado, e nada nele indica condenação: a denúncia ainda depende de análise da Justiça.
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