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Saúde Campinas, SP

Metade das pacientes de câncer de mama em Campinas espera além do prazo

Levantamento na base do Ministério da Saúde mostra que 1.693 dos 3.338 diagnósticos registrados na rede pública desde 2021 demoraram mais de 60 dias para virar tratamento.

Por Hub News Campinas

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Imagem ilustrativa: Fileira de cadeiras vazias em um corredor de hospital
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: wutthichai charoenburi via Pexels

A lei federal dá 60 dias entre a confirmação de um diagnóstico de câncer de mama e o começo do tratamento. Em Campinas, esse limite não é cumprido em metade dos atendimentos da rede pública: 50,7%, de acordo com um levantamento do g1 na plataforma Data SUS, do Ministério da Saúde.

Desde 2021, a cidade registrou 3.338 diagnósticos. Em 1.693 deles o tratamento só teve início depois do prazo. Outros 720 tiveram começo rápido, em menos de um mês, e 769 ficaram na faixa entre 30 e 60 dias.

Segundo o g1, a Secretaria Municipal de Saúde explica parte da demora por um motivo pontual: a Rede Mário Gatti perdeu, de forma temporária, parte da sua capacidade de atender em mastologia, porque um médico se aposentou e outro foi demitido.

Como resposta, a pasta afirma ter contratado dois mastologistas. Dois radiologistas também foram chamados para atuar no Centro de Referência em Atenção Integral à Mulher. Uma licitação em curso deve dobrar a carga de horas em mastologia, e a prefeitura pediu que o Hospital Ouro Verde seja habilitado a fazer cirurgias de câncer. Para o mês que vem está programado um mutirão de cirurgias; para dar conta dos laudos, outra empresa foi contratada.

Para quem está na fila, o prazo tem outro peso. Vera Lúcia da Silva trabalha como auxiliar de limpeza e tem tumores nas duas mamas, classificados como agressivos. Ao g1, ela contou que ouviu da rede pública que não havia vaga imediata e que o atendimento poderia ficar para dezembro de 2026. Disse temer que a doença avance nesse intervalo e relatou noites sem dormir. A secretaria respondeu, ao mesmo veículo, que o diagnóstico dela foi confirmado em 2 de setembro e que o prazo se encerra em novembro, com retomada gradual do atendimento.

A espera alcança ainda procedimentos menos complexos. Fabiana Fonseca, que trabalha como representante farmacêutica, disse ao g1 que aguarda há dois anos uma cirurgia para tirar um nódulo benigno.

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