Macaco resgatado na Itoupava Central é devolvido à mata após cirurgia na Furb
Felippe teve o tendão de Aquiles rompido em um ataque de cães em julho, passou por reconstrução cirúrgica e voltou a viver solto no mesmo fragmento de floresta onde foi encontrado ferido.
Dois meses depois de ser recolhido com um tendão rompido, o bugio-ruivo Felippe voltou a viver solto na Itoupava Central. A soltura foi feita na sexta-feira (18), no mesmo fragmento de floresta onde o macaco vivia antes de se ferir, e dependeu de autorização do órgão ambiental, segundo o NSC Total.
O nome veio da rua Felippe Jensen, onde ele apareceu em 20 de julho, sangrando no alto de uma árvore. Quem o viu foi uma moradora, que chamou o Programa de Resgate de Fauna Silvestre da prefeitura, ligado à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). O animal tinha sido atacado por dois cães da raça pastor-alemão, e o resgate contou com apoio do Serviço de Atendimento aos Animais Silvestres de Blumenau (SAASBlu).
No hospital veterinário da Universidade Regional de Blumenau (Furb), o exame mostrou que o tendão de Aquiles da pata direita havia rompido por inteiro. Foi preciso reconstruí-lo em cirurgia, e o bugio ficou internado por todo o período de recuperação. No meio do tratamento apareceu ainda uma micoplasmose, infecção bacteriana que atinge o sangue, também combatida ali.
Por volta do 60º dia, o quadro clínico e o comportamento já permitiam a volta ao mato, afirmou ao NSC Total o veterinário Júlio Cesar Lopes de Souza, que dá aula na Furb e integrou a equipe de atendimento.
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Antes de marcar a soltura, foi preciso saber para onde devolvê-lo: a equipe levantou a região da Itoupava Central em busca do grupo de bugios que ocupa a área. Moradores acostumados a ver uma família de macacos por ali ajudaram a apontar o ponto certo.
Espécie ameaçada de extinção
Alouatta guariba, nome científico do bugio-ruivo, está na lista de espécies classificadas como "Em Perigo" no Brasil e em Santa Catarina. Devolver um animal desses à natureza obedece a regras próprias de conservação: existem um plano de ação nacional e um programa de manejo populacional sob coordenação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), conforme o SAASBlu.
Quem ficou com o monitoramento foi o Projeto Bugio, de Indaial, também vinculado à Furb. Felippe chegou a ser seguido por algum tempo, mas sumiu mata adentro. Uma nova busca está prevista, para saber como ele está se adaptando.
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