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Economia Caxias do Sul, RS

Sorvelândia tem recuperação judicial aceita e soma passivo de R$ 80 milhões

A fabricante de sorvetes é o segundo caso em duas semanas na cidade, ao lado da Metalúrgica Buzin, e a Câmara de Indústria e Comércio atribui a alta dos pedidos aos juros e ao crédito caro.

Por Hub News Caxias do Sul

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Imagem ilustrativa: Máquinas industriais de alta tecnologia dentro de uma fábrica moderna.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Anna Shvets via Pexels

A Justiça aceitou o processamento do pedido de recuperação judicial da Sorvelândia, fabricante de sorvetes de Caxias do Sul. Os créditos relacionados no processo somam cerca de R$ 13,4 milhões, mas esse valor não mede o tamanho do aperto: incluídas as obrigações que não entram necessariamente na recuperação, o passivo declarado pela empresa chega perto de R$ 80 milhões.

Pela documentação entregue ao Judiciário, a dificuldade financeira veio de uma soma de pressões: mais concorrentes disputando o mercado, lucro menor em cada venda, a oscilação de demanda típica do ramo de sorvetes, o que sobrou da pandemia, dinheiro emprestado mais caro e a conta de insumos e de energia em alta. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul também aparecem entre os fatores que agravaram o quadro.

É o segundo caso em duas semanas na cidade. A Metalúrgica Buzin levou à Justiça um pedido parecido, ao lado da Metalúrgica Multipeças: R$ 6,9 milhões em créditos sujeitos ao plano e um endividamento total próximo de R$ 50 milhões.

O que o setor empresarial vê por trás

Ubiratã Rezler, presidente da CIC — entidade que reúne indústria, comércio e serviços na cidade —, apontou à Rádio Caxias três causas para o aumento dos pedidos: o custo dos juros, o crédito difícil de obter e as dívidas que crescem. Ele observou que o efeito não para no balanço de quem recorre à recuperação: atinge toda a cadeia produtiva. E defendeu que as empresas recebam apoio para atravessar o período e se reestruturar.

Também à emissora, a advogada Aline Ribeiro, responsável pelos dois processos e pela recuperação recente do Hospital Saúde, descreveu uma mudança no perfil das crises. Até algum tempo atrás, disse, elas apareciam concentradas em um setor ou outro; hoje o problema está mais espalhado. Ela aponta a elevação dos juros como um dos fatores principais e afirma que a ausência de capital próprio ampliou o endividamento e fez as empresas perderem autonomia financeira.

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