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Cultura Caxias do Sul, RS

Historiador da Câmara de Caxias revê quem são os heróis da história gaúcha

Em entrevista à Rádio Caxias na Semana Farroupilha, Eduardo Reis diz que a historiografia atual tira os Lanceiros Negros e Sepé Tiaraju do papel secundário na formação do Rio Grande do Sul.

Por Hub News Caxias do Sul

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Imagem ilustrativa: Cuia de chimarrão com bomba, bebida tradicional gaúcha
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: lucasgeorgewendt via Pixabay

O grupo de lanceiros negros traído em Porongos e o líder guarani Sepé Tiaraju, morto durante as Guerras Guaraníticas, passaram décadas tratados como assunto de segunda ordem na história do Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Caxias, o historiador da Câmara Municipal de Caxias do Sul, Eduardo Reis, afirmou que a pesquisa acadêmica vem fazendo o caminho inverso e recolocando essas figuras como protagonistas da formação do Estado.

No caso dos lanceiros, disse Reis à emissora, o esforço é mostrar que a população negra não esteve no passado gaúcho apenas na condição de escravizada: esteve também no campo de batalha mais importante daquele território.

A galeria consagrada é outra, e nasceu da Revolução Farroupilha. Bento Gonçalves, David Canabarro e o casal Giuseppe e Anita Garibaldi viraram sinônimo de coragem e de ideal de liberdade, com nome em praça, em rua e em livro didático. Reis explicou à Rádio Caxias que essa leitura heroica era a corrente no Brasil do período, sob influência do positivismo do francês Augusto Comte, e que ela se apoiava nos relatos oficiais.

Daí vem também o retrato do gaúcho corajoso, livre e fiel ao seu pago, que a pesquisa hoje submete a prova: quanto dele corresponde à vida concreta do peão, do homem do campo e do estancieiro, e quanto foi idealização montada ao longo do século XX. O tradicionalismo, segundo o historiador, ocupou lugar central nessa montagem — manteve em cartaz os heróis que a história registra e, ao mesmo tempo, sustenta o heroísmo pelo folclore e pela transmissão oral, sem precisar de prova documental.

Numa galeria quase toda de homens a cavalo, Anita Garibaldi é a exceção que se firmou, também como líder em combate. Questionado sobre a chance de surgirem novas heroínas gaúchas, o historiador respondeu à Rádio Caxias que a universidade não se dedica a construir personagens desse tipo, e sim a pesquisar histórias de mulheres com contribuição social no Estado.

Criar uma figura heroica nova, avaliou Reis, é difícil nos dias de hoje. Ele lembrou à emissora que o Estado teve, depois da Farroupilha, outros episódios de peso — a Revolução Federalista e a atuação do governador Leonel Brizola. E, perguntado sobre qual nome mereceria entrar nos livros escolares do Rio Grande do Sul, citou Júlio de Castilhos e Júlia Malvina Tavares: não como heróis, ressalvou, mas como personagens de destaque histórico.

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