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Meio ambiente Canoas, RS

ONGs acionam MP-RS contra plano de reprodução do cavalo Caramelo

Carta do Grad Brasil e de organizações parceiras pede que a Ulbra não cruze o cavalo resgatado na enchente de 2024 com a égua Hora Extra; a universidade não quis comentar.

Por Hub News Canoas

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Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: dendoktoor via Pixabay

O anúncio de que o cavalo Caramelo pode vir a ter um filhote levou entidades de proteção animal a recorrer ao Ministério Público do Rio Grande do Sul. O Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad Brasil), ao lado de outras organizações, enviou ao MP-RS um manifesto contra o cruzamento planejado pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), que mantém a tutela do animal em Canoas.

No documento, as entidades sustentam que a iniciativa transforma em negócio a imagem de um animal que sobreviveu a uma tragédia e espalha informação equivocada sobre genética e bem-estar. Outro ponto da carta é o risco de estimular o crescimento desordenado do número de cavalos sem raça definida, o que, para as organizações, empurra mais animais para o abandono e a negligência em regiões já vulneráveis.

Presidente do Grad Brasil, Carla Sássi afirmou ao Diário de Canoas que a decisão de reproduzir o cavalo "não faz sentido" e que ele deveria ser lembrado como símbolo de sobrevivência, não como produto. "Não existe uma 'genética do cavalo Caramelo'", disse ela, para quem a promessa de perpetuar uma linhagem apenas desinforma o público. A entidade atua há 15 anos no socorro a animais atingidos por desastres.

Caramelo ficou conhecido no país em maio de 2024, quando foi achado sobre o telhado de uma casa durante a enchente que inundou Canoas. Desde então vive sob os cuidados da Ulbra. A companheira anunciada pela universidade é Hora Extra, égua da raça Crioula de seis anos e cerca de 350 quilos, doada por um criador de São Sebastião do Caí que também teve a propriedade atingida pelas cheias. O nome de quem doou não foi divulgado.

O que diz o veterinário

A tese da ausência de valor genético também aparece na avaliação técnica. O Diário de Canoas ouviu um veterinário sobre esse ponto. Guilherme Alberto Machado explicou que num animal mestiço não há linhagem a preservar, e por isso o cruzamento vira escolha pessoal de quem cuida dele — diferente do que ocorre entre raças puras, em que a monta serve ao melhoramento. Ele acrescentou que a castração é cirurgia de rotina, que reduz a testosterona e deixa o animal mais manso no manejo diário, sem efeito sobre a longevidade.

Questionada, a Ulbra respondeu que não se pronunciaria sobre o assunto.

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