Ponta Grossa é o maior município dos Campos Gerais, no Segundo Planalto paranaense, com cerca de 358 mil habitantes no Censo 2022. Nasceu de um pouso de tropeiros, cresceu como entroncamento ferroviário e rodoviário e hoje reúne indústria, agronegócio e universidade. É a porta de entrada do Parque Estadual de Vila Velha.
Ponta Grossa em números
- Fundação
- 1823 Câmara Municipal de Ponta Grossa
História
A ocupação do território começa com as sesmarias do início do século XVIII: em 1704, Pedro Taques de Almeida pediu terras na região, e os campos foram divididos em sesmarias como Rio Verde, Itaiacoca, Pitangui, Carambeí e São João. Seu filho, José Góis de Morais, instalou ali currais de gado.
A cidade deve sua existência ao Caminho das Tropas, rota por onde os tropeiros levavam animais do Sul do país às feiras paulistas. Nos pousos em que eles paravam para descansar surgiram povoados, e um deles ficou conhecido como Capão da Ponta Grossa, por causa de um morro coberto por um capão de mato que servia de referência na paisagem. Daí vem o nome.
O povoado virou freguesia em 15 de setembro de 1823, data em que o município comemora seu aniversário. Foi elevado a vila em 1855 e a cidade em 1862.
A virada veio com os trilhos. Em 1894 foi inaugurada a Estação Paraná, ponta da Estrada de Ferro do Paraná, que ligava Paranaguá e Curitiba a Ponta Grossa. Pouco depois chegou a Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande, que ganhou sua própria estação entre 1899 e 1900, a hoje chamada Estação Saudade. O encontro das duas linhas fez da cidade um entroncamento ferroviário e acelerou o comércio: a luz elétrica chegou às ruas em 1904, e a população, de pouco mais de 15 mil habitantes em 1908, passou de 40 mil na década de 1940. As duas estações foram tombadas pelo Estado em 1990.
Geografia e clima
Ponta Grossa fica no Segundo Planalto Paranaense, na região dos Campos Gerais, uma paisagem de campos nativos, capões de mata e afloramentos de arenito. O território municipal tem cerca de 2.045 km², segundo o IBGE.
No município está o Parque Estadual de Vila Velha, criado em 1953 como a primeira unidade de conservação do Paraná. São mais de 3 mil hectares, a cerca de 900 metros de altitude, com formações de arenito esculpidas ao longo de centenas de milhões de anos, as Furnas e a Lagoa Dourada. O conjunto foi tombado pelo Estado em 1966.
O clima dos Campos Gerais é subtropical, com verões amenos e invernos frios, em que as geadas são comuns. A Universidade Estadual de Ponta Grossa mantém uma estação meteorológica no campus Uvaranas.
Economia
A posição da cidade, no cruzamento de ferrovias e rodovias que levam ao Porto de Paranaguá, fez dela um polo industrial. A região norte do município concentra um complexo de indústrias, com a fábrica de caminhões DAF/PACCAR, inaugurada em 2013, e uma cervejaria da AmBev, de 2016, segundo a prefeitura.
O agronegócio tem peso grande: a região se destaca no processamento de soja e trigo e na pecuária leiteira e suína, e foi nos Campos Gerais que o sistema de plantio direto começou a se difundir pelo país.
Pelos dados do IBGE, o PIB per capita chegou a R$ 71.387,82 em 2023, mais que o triplo dos R$ 21.491,17 de 2010. A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) ajuda a formar mão de obra e pesquisa para o setor, com um centro dedicado a tecnologias do agronegócio.
População
O Censo 2022 contou 358.371 habitantes em Ponta Grossa, ante 311.611 em 2010. A estimativa do IBGE para 2025 é de 375.632 moradores, o que faz dela a maior cidade dos Campos Gerais.
A população se formou a partir dos tropeiros e fazendeiros do período colonial e recebeu, com a ferrovia, levas de imigrantes: ucranianos, alemães, poloneses, italianos, russos, sírios e libaneses, segundo a Câmara Municipal.
Cultura e tradições
A herança tropeira convive com a dos imigrantes europeus. A festa mais conhecida é a Münchenfest, a Festa Nacional do Chope Escuro, realizada desde 1990 com apoio da prefeitura. Cada edição abre com o desfile de blocos pela Avenida Vicente Machado e mistura música e comida alemãs com shows nacionais; a 34ª edição foi em novembro de 2025, no Centro de Eventos.
A memória ferroviária também é parte da identidade local: as antigas estações e o armazém da Estrada de Ferro do Paraná, no centro, foram convertidos em espaços culturais, entre eles a Estação Saudade, hoje ocupada pelo Sesc. A Casa da Memória, da prefeitura, guarda documentos e acervos sobre a história da cidade e dos Campos Gerais.
Como chegar
- De carro, a partir de Curitiba: pela BR-277 e, depois, pela BR-376, em pista dupla.
- Outras rodovias: a BR-376 (Rodovia do Café) segue para o Norte e o Noroeste do Paraná; a BR-277 leva ao Oeste e ao Sudoeste do estado; a PR-151 liga a cidade ao Nordeste do Paraná e a São Paulo.
- De avião: o Aeroporto Comandante Antônio Amilton Beraldo, conhecido como Aeroporto Sant'Ana, é administrado pela prefeitura e atende toda a região dos Campos Gerais.
- Parque Estadual de Vila Velha: fica às margens da BR-376, no trecho entre Ponta Grossa e Curitiba.
Fontes
- Câmara Municipal de Ponta Grossa – História da Cidade
- IBGE – indicadores do município (API de pesquisas)
- Patrimônio Cultural do Paraná – Estações de passageiros da Estrada de Ferro de Ponta Grossa
- Patrimônio Cultural do Paraná – Parque Vila Velha, Furnas e Lagoa Dourada
- UEPG – Dicionário Histórico dos Campos Gerais: Ferrovias e urbanização em Ponta Grossa
- Prefeitura de Ponta Grossa – Invista em Ponta Grossa
- Prefeitura de Ponta Grossa – Localização da Cidade
- Prefeitura de Ponta Grossa – Aeroporto
- UEPG – Laboratório de Climatologia e Estudos Ambientais
Texto atualizado em 25 de setembro de 2026.