Pai admite no júri a morte de Eduarda Shigematsu após sete anos negando o crime
Ricardo Seidi Shigematsu assumiu a autoria ao ser interrogado na noite de quarta-feira (16) e depois ficou em silêncio; debates e votação dos jurados foram marcados para esta quinta (17).
Ricardo Seidi Shigematsu admitiu ter matado a filha, Eduarda Shigematsu, ao ser interrogado no Tribunal do Júri de Maringá na noite de quarta-feira (16). É a primeira vez que ele assume a autoria desde que foi preso, em abril de 2019. Segundo a Folha de Londrina, a confissão foi confirmada por familiares, pela assistência de acusação e pela defesa. O jornal apurou que o réu não deu detalhes sobre o crime e, em seguida, preferiu ficar calado.
Em nota à Folha de Londrina, o advogado Hugo Esteves, que atua como assistente de acusação em nome da família, relatou que Ricardo respondeu "sim, confesso tudo" quando questionado. Para ele, a declaração tem grande peso para quem espera há mais de sete anos, mas a palavra final continua com os jurados.
A sessão foi suspensa depois do interrogatório e seria retomada nesta quinta-feira (17), às 8h30, com os debates entre acusação e defesa e, na sequência, a votação do Conselho de Sentença, formado por quatro homens e três mulheres.
O caso
Eduarda tinha 11 anos e morava com o pai e a avó paterna, Terezinha de Jesus Guinaia, em Rolândia, no Norte do Paraná. Ela morreu em 24 de abril de 2019, e o corpo foi achado quatro dias depois, enterrado na garagem de um imóvel da família. O sumiço havia sido comunicado à polícia pela avó no dia 25.
Pela versão da acusação, câmeras mostraram a menina chegando em casa às 11h57 e o pai saindo de carro às 13h32, já com o corpo no porta-malas. Durante a investigação, Ricardo reconheceu ter transportado e escondido o corpo, mas sustentava ter encontrado a filha enforcada. A necropsia apontou esganadura, e um laudo da Polícia Científica anexado ao processo em agosto de 2025 descartou a hipótese de suicídio.
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Ele responde por homicídio triplamente qualificado — asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio —, com aumento de pena por a vítima ter menos de 14 anos, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Terezinha é acusada desses dois últimos crimes. Para o Ministério Público do Paraná, ela já sabia da morte da neta quando registrou o boletim de ocorrência. A avó nega, acompanha o júri a distância e responde em liberdade desde junho de 2019. Chegou a ser impronunciada em 2020, mas o Tribunal de Justiça do Paraná aceitou recurso do MP e a levou a júri. À imprensa, a defesa dela afirmou que imagens mostram Terezinha no trabalho no momento do enterro e pediu a absolvição.
Oito adiamentos
Desde 2022, o julgamento foi remarcado oito vezes e passou de Rolândia para Londrina e, depois, para Maringá. O STJ suspendeu a sessão prevista para março de 2023, e a data de 4 de agosto de 2026 foi cancelada por falta de magistrado.
No primeiro dia, os jurados ouviram uma investigadora do Sicride, um médico-legista e o delegado responsável pelo inquérito. No intervalo, a mãe, Jéssica Pires, contou à imprensa que faz tratamento psicológico e psiquiátrico toda semana e espera sentir algum alívio com o fim do processo, segundo a Folha de Londrina. Foi a primeira vez que ela ficou frente a frente com Ricardo desde a prisão. Em entrevista à RPC reproduzida pelo GMC Online, Jéssica lembrou que a filha sonhava em viajar: "Ela queria viver muito".
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- Folha de Londrina — Sete anos depois, pai e avó de Eduarda Shigematsu vão a júri popular 16/09/2026
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