Câmara de Maringá agrupa quatro projetos numa votação só e aprova urgência por 14 a 5
Entre as propostas está a criação da Maringá Data e Tecnologia S/A, estatal pensada para um data center; vereadores contrários reclamaram da falta de tempo para analisar os documentos.
A Câmara Municipal de Maringá mudou, na sessão de quinta-feira, a forma de tramitar projetos de lei: quatro propostas foram analisadas juntas, numa votação em bloco. Até então, pelo Regimento Interno, só os requerimentos dos vereadores que constavam da ordem do dia podiam ser agrupados dessa maneira. Entre os quatro textos estão a abertura de um crédito adicional e a criação de mais uma empresa do município, a Maringá Data e Tecnologia S/A.
Os pedidos de urgência, apresentados por Odair Fogueteiro (PP) e Luiz Neto (Agir), passaram em bloco por 14 votos a 5. O presidente em exercício da Casa, Sidnei Telles (Podemos), havia defendido que cada projeto fosse analisado separadamente. Na votação sobre a constitucionalidade, o placar ficou em 13 a 6. A sessão chegou a ser suspensa e, na volta, cinco vereadores foram à tribuna; a queixa mais repetida foi a de que não houve tempo para examinar os documentos.
A estatal do data center
O projeto da nova empresa foi enviado por Majorie Catherine Capdbosq (PP) no primeiro dia dela como prefeita em exercício. A justificativa é implantar, operar e explorar comercialmente um data center anunciado em janeiro do ano passado, além de prestar serviços de processamento e armazenamento de dados ligados à Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Maringá. Para abrir espaço à ZPE, o município desapropriou 41 imóveis em fevereiro de 2025. Segundo o blog de Angelo Rigon, até julho nenhum pedido de instalação da zona de Maringá havia sido protocolado no conselho federal que autoriza as ZPEs.
A proposta chega um ano depois da criação do InPacta, instituto municipal voltado a soluções digitais para a administração, que no período lançou uma assistente virtual para consulta a mais de 360 serviços da prefeitura.
Da tribuna, Daniel Malvezzi (Novo) reconheceu a importância do tema, mas avaliou que, decidida em regime de urgência, "essa análise fica prejudicada". Ele lembrou que a empresa nasce com R$ 10 milhões de capital social, que podem chegar a R$ 20 milhões, e argumentou que, se um futuro governo criar obstáculos ao empreendimento — a justificativa dada para a pressa em ano de eleição —, esse dinheiro ficará parado em vez de ser investido na cidade.
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