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Um terço dos argentinos vive na pobreza, aponta índice oficial do semestre

O Indec registrou 32,3% da população abaixo da linha de pobreza entre janeiro e junho, contra 28,2% no semestre anterior, e o ministro da Economia atribuiu a piora a choques passageiros.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Rua com cafés em Buenos Aires.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Cristiano Junior via Pexels

A pobreza voltou a subir na Argentina. O Indec, instituto oficial de estatística do país, informou na quinta-feira (24) que 32,3% da população estava abaixo da linha de pobreza no primeiro semestre de 2026, contra 28,2% no semestre anterior — alta de 4,1 pontos percentuais. A indigência, que mede quem não consegue comprar sequer a cesta básica de alimentos, passou de 6,3% para 7,5%.

Quantas pessoas isso representa depende de quem faz a conta: a Ágora RS fala em 9,7 milhões de pobres e 2,2 milhões de indigentes, enquanto o Página 12, reproduzido no blog de Angelo Rigon, calcula 15 milhões e 3,5 milhões. A medição do instituto é feita em 31 regiões urbanas e compara a renda das famílias com o custo da cesta de alimentos e da cesta total, que inclui moradia, transporte e roupas.

A explicação está nos preços. Ainda segundo o Indec, a renda familiar por pessoa cresceu 11,5% no período, enquanto as cestas regionais subiram, em média, 21,4% (a de alimentos) e 19,6% (a total).

O indicador que o governo exibia

O índice vinha sendo apresentado como um dos trunfos de Javier Milei. A pobreza havia saltado de 41,7% no segundo semestre de 2023 para 52,9% um ano depois, no início do governo, e desde então caía, até chegar a 28% em 2025. A virada acontece junto com o fechamento de empresas e de postos de trabalho e com o recuo da atividade econômica, que caiu 2,9% em julho na comparação com junho.

Nas redes sociais, o ministro da Economia, Luis Caputo, minimizou o resultado: ponderou que, apesar da alta em relação ao semestre anterior, as duas taxas caíram muito na comparação com o primeiro semestre de 2024. Sobre a atividade, lembrou que o acumulado de sete meses segue positivo, com crescimento de 1,7%, e atribuiu o recuo de julho a "choques transitórios" — menos gás disponível para a indústria, chuvas e nevascas acima da média atrapalhando construção e mineração, e menos horas trabalhadas em alguns setores por causa da Copa do Mundo.

Há ainda quem conteste a régua. O Observatório da Dívida Social Argentina, da Universidade Católica Argentina, sustenta que a estatística oficial exagerou a queda registrada até 2025; com as correções metodológicas que propõe, a pobreza do semestre chegaria a 45%. Para o observatório, citado pelo Página 12, o índice subir mesmo sem essas correções já é um sinal relevante.

As crianças aparecem como a parte mais atingida em qualquer leitura. Pelo Página 12, 44,5% das crianças de até 14 anos vivem em domicílios abaixo da linha de pobreza, ante 41,3% no fim de 2025; a Ágora RS apresenta o mesmo percentual como a fatia de crianças e adolescentes dentro do total de pobres.

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