Sindicato mundial de jogadores quer revisão independente do poder de decisão da Fifa
Em relatório, a FIFPro diz que o plano Forward Enterprise, retirado por Gianni Infantino, expôs falhas de governança e pede que jogadores, clubes e ligas tenham participação formal nas decisões.
A FIFPro, sindicato que representa jogadores de futebol, cobrou mudanças na forma como a Fifa toma decisões. O pedido está num relatório divulgado pela entidade, conforme noticiou a Rádio Pampa com informações da agência AFP, e tem como ponto de partida o Forward Enterprise, plano de investimento que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou no começo deste ano e depois abandonou diante de ampla oposição.
Para a FIFPro, a proposta pretendia converter as grandes competições do futebol em ativo financeiro que investidores privados poderiam comprar e negociar, por um valor abaixo do que elas valem, e foi montada sem ouvir quem participa diretamente do jogo. O estudo, feito em parceria com a Player IQ e a Football Benchmark, sustenta que a retirada do plano não resolveu o problema: as falhas de governança que permitiram sua criação continuariam sem correção.
O que o sindicato pede
A principal reivindicação é uma revisão independente do processo decisório do Conselho da Fifa, para impedir que alterações de peso sejam levadas adiante por um único gabinete, sem contrapeso. O sindicato também quer que jogadores, clubes e ligas passem a ter participação formal na governança do futebol, ao lado das federações nacionais.
A entidade diz apoiar mais recursos para o desenvolvimento das federações menores, mas afirma que qualquer fundo de solidariedade precisa ser desenhado em conjunto por todas as partes do futebol, e não imposto de forma unilateral.
Os números do relatório
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O levantamento mostra o peso dos clubes da Europa no Mundial de 2026, disputado no formato ampliado. Eram deles 856 dos jogadores convocados, e esse grupo respondia por 94% do valor de todos os atletas do torneio — uma soma estimada em 16,9 bilhões de euros, perto de US$ 19,8 bilhões. Nas últimas cinco Copas, todos os 20 premiados individualmente atuavam por times europeus.
Outro dado trata do dinheiro que volta para as seleções. Em 2006, a premiação paga aos países participantes equivalia a 10,5% da receita do Mundial; em 2026, a proporção caiu para algo em torno de 7,7%, embora o faturamento do torneio tenha crescido com força.
Segundo o documento, os atletas ficam com uma parte pequena desse dinheiro, enquanto as federações dependem da premiação como a única receita da Fifa ligada ao desempenho em campo. A FIFPro afirma que os dados reforçam a necessidade de proteger o que chama de "infraestrutura crítica" do futebol.
A disputa com a Europa
O relatório chega em meio a uma discussão sobre quem manda no futebol mundial. Em processos na Justiça ligados a questionamentos da Uefa, que organiza o futebol europeu, a Fifa sustentou que a resistência às suas propostas tem como motivação manter a Europa na posição dominante que ocupa no esporte.
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