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Leão 14 abre viagem à França cobrando limites éticos para a tecnologia

Primeira visita de um papa ao país em quase 20 anos começou no Palácio do Eliseu, onde o pontífice também reafirmou a oposição da Igreja à morte assistida e à gestação por substituição.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Multidão se reúne enquanto o Papamóvel passa pela Cidade do Vaticano.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Nelson Gómez via Pexels

O papa Leão 14 desembarcou na França na sexta-feira (25) e abriu a viagem diante de Emmanuel Macron e de autoridades reunidas no Palácio do Eliseu com um discurso sobre os limites da técnica. Há "necessidade urgente de educação para o discernimento ético", disse o pontífice, se o mundo quiser evitar "perder nossa humanidade" em meio a máquinas que condicionam o dia a dia.

É a primeira viagem oficial de um papa ao país em quase 20 anos, e dura quatro dias, com passagens por três cidades. Em maio, Leão 14 já havia publicado um manifesto sobre os riscos da inteligência artificial em que pedia regulamentação internacional do setor.

No mesmo discurso, ele reafirmou a oposição da Igreja Católica à morte assistida e à gestação por substituição, que classificou como desvios de uma ciência não orientada pela consciência. "Reitero firmemente que a proteção do direito à vida constitui a base indispensável de todos os outros direitos humanos", afirmou. A fala chega dois meses depois de a França criar um direito legal à morte para pessoas com doenças incuráveis, medida combatida pelos bispos locais — mas o papa não citou a lei.

Abuso sexual no centro da viagem

A outra pauta da visita é o passivo dos abusos cometidos por religiosos. No domingo, em Lourdes, o papa deve se reunir com sete vítimas de abuso por parte do clero, segundo o Bem Paraná. Um funcionário do Vaticano afirmou que ele pediu que o encontro fosse organizado como diálogo, com pessoas de diferentes regiões do país e também com quem sofreu abuso já na idade adulta.

Um relatório de 2021 concluiu que cerca de 330 mil crianças francesas foram vítimas de religiosos e de leigos ligados à Igreja ao longo de sete décadas, e acusou a instituição de indiferença para com as vítimas. Desde então, os bispos franceses adotaram medidas de indenização e de proteção. O próprio santuário de Lourdes carrega um caso: os mosaicos feitos pelo padre Marko Rupnik, acusado de abuso sexual por mais de 20 mulheres e submetido a julgamento canônico no Vaticano, foram cobertos por ordem do bispo local, Jean-Marc Micas.

Missa para 600 mil e discurso a líderes europeus

Cerca de 600 mil pessoas se inscreveram para a missa ao ar livre de sábado, perto dos Champs-Élysées. "A visita do papa Leão à França provocou uma verdadeira onda" de interesse, disse à Reuters o bispo aposentado Marc Stenger, para quem os católicos do país voltaram a procurar a Igreja em um momento de incerteza.

A agenda em Paris inclui ainda um discurso na sede da Unesco, hoje com déficit no orçamento depois da saída dos Estados Unidos da agência em 2025, e uma cerimônia de oração em Notre-Dame — a primeira presença de um papa na catedral desde o incêndio de 2019 e a restauração que se seguiu. Depois de passar por Lourdes, a viagem termina em Metz, perto da fronteira alemã, com um discurso sobre as raízes europeias da paz e da unidade. Macron convidou os líderes dos 27 países da União Europeia, e a imprensa francesa aponta que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pode comparecer.

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