Garimpo de ouro desmorona no oeste do Sudão; resgate já retirou 63 corpos
Poços da mina de Al-Zaraa, em Kordofan Ocidental, cederam na terça-feira (15); as buscas por soterrados seguem, dificultadas pela profundidade e pela falta de máquinas.
O desmoronamento de uma mina artesanal de ouro no estado de Kordofan Ocidental, no oeste do Sudão, matou pelo menos 63 pessoas. Os corpos foram retirados dos escombros na quarta-feira (16) por equipes locais de resgate, um dia depois de a estrutura ceder, e a procura por outras vítimas prosseguia.
O garimpo atingido é o de Al-Zaraa, na região de Al-Riqiq. Segundo relatos de sobreviventes e testemunhas reproduzidos pelo portal O Maringá, o complexo subterrâneo reúne cerca de dez poços, e vários deles vieram abaixo de repente, soterrando dezenas de trabalhadores. Na estimativa de um dos sobreviventes, o número de soterrados no subsolo pode passar de 300.
Os socorristas enfrentam dois obstáculos: a profundidade dos poços, que dificulta chegar às partes mais baixas da mina, e a ausência de maquinário especializado para remover a terra. Pelo mesmo relato publicado pelo portal, outro sobrevivente contou que ainda havia trabalhadores desaparecidos enquanto as buscas avançavam.
Setor sustenta milhões de pessoas
A mineração artesanal é uma das principais fontes de renda no Sudão. O segmento ocupa mais de 1,5 milhão de pessoas, espalhadas por mais de 800 áreas de extração no norte e no oeste do país, e responde por cerca de 80% do ouro produzido ali — metal que também tem peso na entrada de moeda estrangeira. Dados oficiais apontam produção nacional de aproximadamente 70 toneladas em 2025.
Acidentes desse tipo se repetem nessas áreas, marcadas por normas de segurança precárias, ferramentas inadequadas e estruturas de extração desgastadas pelo uso.
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