Diretriz de pneumonia grave quase não usa dados de países de renda baixa ou média
Estudo do Instituto D'Or mostra que só 6 das 115 referências da recomendação internacional de 2023 incluíram doentes dessas nações, e que 99,9% dos pacientes analisados eram de países ricos.
Quase todos os pacientes que serviram de base para a principal recomendação internacional de tratamento da pneumonia grave vieram de países ricos. A conclusão é de um estudo do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (Idor), publicado em julho na revista científica Respiratory Research & Clinical Practice e noticiado pela Folhapress em reportagem publicada pelo Bem Paraná.
Os pesquisadores examinaram as referências usadas na diretriz de 2023 para a pneumonia grave adquirida na comunidade, forma da doença contraída fora do hospital. O documento, o primeiro de alcance internacional dedicado apenas aos casos graves, foi elaborado por três sociedades médicas europeias, das áreas respiratória, de medicina intensiva e de microbiologia clínica, e pela Associação Latino-Americana de Tórax. Ele foi publicado no European Respiratory Journal e na Intensive Care Medicine.
Das 115 referências, só seis (5,2%) tinham entre os participantes, mesmo que parcialmente, doentes de nações de renda baixa ou média, e nenhuma foi conduzida em país de baixa renda. Considerados apenas os 74 artigos originais, sem revisões nem editoriais, a proporção foi de cinco (6,7%). Somados, os trabalhos reuniram mais de 3 milhões de pacientes, e 99,9% estavam em países de alta renda. O levantamento também aponta predominância de homens e de pessoas brancas, o que limita o uso das recomendações em outras populações.
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Em entrevista à Folhapress, o pneumologista Jorge Salluh, pesquisador do Idor e um dos autores, explicou que os médicos recorrem a essas diretrizes, montadas por especialistas com base nas evidências mais sólidas, para orientar diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes.
No Brasil, a pneumonia figura entre as principais causas de internação no SUS, afirmou à Folhapress o infectologista Klinger Faíco, da Sociedade Brasileira de Infectologia, que cita crianças e idosos entre os mais atingidos. Dados do Ministério da Saúde citados na reportagem indicam média de 252 mil atendimentos hospitalares por ano causados pela doença.
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