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Alex Saab, ex-ministro de Maduro, admite lavagem de dinheiro em tribunal de Miami

Acordo com a Promotoria americana prevê confisco de US$ 195 milhões, associado a desvios no programa alimentar CLAP, e colaboração do réu em troca de uma pena menor.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Martelo de juiz e livros de leis sobre mesa de madeira.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: succo via Pixabay

O empresário colombiano Alex Saab, que foi ministro da Indústria da Venezuela e é apontado como um dos homens de confiança de Nicolás Maduro, mudou sua posição na Justiça dos Estados Unidos e se declarou culpado de lavagem de dinheiro na terça-feira (15). Segundo a Rádio Pampa, que cita documento da corte federal do Distrito Sul da Flórida, em Miami, a admissão faz parte de um acordo fechado com a Promotoria.

Pelo acordo, Saab responde a uma única acusação — conspiração para lavar instrumentos monetários — e se compromete a colaborar integralmente com os promotores, sem acobertar ninguém com dados falsos ou omissões e sem incriminar inocentes. Em contrapartida, busca reduzir a pena. Em 24 de julho, diante do juiz, ele havia se declarado inocente.

Confisco e pena dependem da colaboração

O documento fixa em US$ 195 milhões, cerca de R$ 1 bilhão, o valor a ser confiscado. A Promotoria liga a quantia a um suposto esquema de corrupção e desvio de recursos que teria durado anos no CLAP, o programa venezuelano de distribuição de alimentos. A acusação pode render em torno de 20 anos de prisão, mas tanto a sentença final quanto o montante confiscado vão variar conforme a utilidade das informações que ele entregar.

O processo tem ligação direta com o de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, que corre em Nova York. O casal foi capturado por forças militares americanas em Caracas em 3 de janeiro.

Trajetória

Saab ganhou projeção na política venezuelana nos últimos anos do governo de Hugo Chávez. A acusação sustenta que ele atuou como testa de ferro de Maduro e operador de lavagem, o que lhe teria rendido cidadania venezuelana e passaporte diplomático.

Alvo das primeiras sanções americanas em 2019, foi preso em Cabo Verde em 2020 e enviado aos Estados Unidos no ano seguinte. Acabou solto em 2023, numa troca de prisioneiros negociada com Caracas pelo governo de Joe Biden. Depois da captura de Maduro, a presidente interina Delcy Rodríguez o afastou de todos os cargos, e ele foi novamente extraditado em 16 de maio.

Desde a mudança no comando do país, Washington e Caracas se aproximaram. Rodríguez deixou a lista de sanções americanas em 1º de abril, e a Venezuela reformou as regras de exploração de petróleo e gás para abrir o setor a empresas estrangeiras. Parte da produção de petróleo venezuelano passou a ser controlada pelos EUA por meio da concessionária North American Blue Partners.

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