Gaeco denuncia 19 por central financeira do PCC e cita três coronéis da PM
Denúncia do Ministério Público paulista aponta estrutura de lavagem montada entre 2019 e 2025 para o PCC; promotoria também levou à Justiça Militar informações sobre oficiais citados em áudios e planilhas do grupo.
O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra 19 pessoas acusadas de manter uma estrutura financeira clandestina a serviço do Primeiro Comando da Capital. Para o Gaeco, braço da promotoria voltado ao crime organizado, o arranjo servia para ocultar de quem era e de onde vinha o dinheiro do tráfico e de outros delitos — o que o Ministério Público descreveu como um "verdadeiro Banco do Crime".
A operação teria durado pelo menos de 2019 a 2025. Apoiava-se em laranjas, em contas abertas no nome de terceiros e em empresas que existiam apenas para servir de fachada, o que dificultava seguir o rastro dos valores. No centro dela estaria Paulo Rogério Silva, conhecido como "Paulo Barão", ao lado de Leonardo Meirelles e de Cléber Azevedo dos Santos — os três, conforme o Gaeco, movimentaram quantias bilionárias.
A lista de acusados reúne nomes que já apareceram em apurações anteriores de lavagem, entre elas a Lava Jato. É o caso da contadora Meire Bomfim da Silva Poza e de Raphael Flores Rodriguez, conhecido pelo apelido "Batata". Quatro dos denunciados estão foragidos.
As imputações variam conforme o papel de cada um e incluem organização criminosa e lavagem de dinheiro. A promotoria pede ainda que todos paguem, em conjunto, ao menos R$ 10 milhões de indenização por danos morais coletivos e sociais.
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Foi dentro dessa investigação que o Gaeco identificou a aproximação entre os alvos e oficiais da Polícia Militar. O Ministério Público remeteu ao Tribunal de Justiça Militar informações sobre possíveis crimes de três coronéis, material que pode embasar um inquérito contra eles. O envio foi confirmado nesta terça-feira (15) à TV Globo, sem que a promotoria detalhasse quais infrações estariam em questão.
Os três aparecem em áudios e em planilhas financeiras dos operadores. Um deles é o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da corporação, que no período analisado esteve à frente da Rota e do policiamento de choque. Outro é o coronel Luiz Carlos Pereira Martins, que, conforme os autos, dirigia o ensino da PM e figura em registros de contatos diretos e de canais reservados abertos a pedido de um investigado, em setembro de 2023. O terceiro é identificado apenas como "Patrício" e surge de forma recorrente nas planilhas com que o grupo controlava gastos e vantagens indevidas.
Coutinho já havia sido mencionado antes. Em abril, reportagem da TV Globo e do g1 mostrou que o nome do ex-chefe da PM constava de uma apuração sobre policiais que faziam a segurança da Transwolff, viação de ônibus investigada por elos com a facção. Segundo o g1, a reportagem buscava contato com as defesas dos três coronéis.
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Leia em outras fontes
- g1 São Paulo — Operadores condenados pela Lava Jato criaram banco do crime para o PCC, diz MP 15/09/2026
- g1 São Paulo — MP envia a Justica Militar informacoes sobre 3 coroneis da PM de SP ligados ao PCC 15/09/2026
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.
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