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Defesa Civil de SP associa chuva muito acima da média em setembro ao El Niño

Regiões como Campinas, Registro, Baixada Santista e Bauru já superaram em 13 dias a chuva esperada para o mês inteiro; órgão estadual prevê que o pior momento chegue no fim do ano.

Por Hub News

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Em menos de duas semanas, boa parte do estado de São Paulo recebeu mais chuva do que costuma ver em setembro inteiro. Segundo reportagem do Estadão, a Defesa Civil estadual atribui o volume ao El Niño e trabalha com a hipótese de que a temporada chuvosa, que normalmente começa entre novembro e dezembro, tenha se antecipado.

Os gráficos do órgão sobre os dias 1º a 13 de setembro mostram o caso mais extremo na região de Campinas: 257,2 milímetros acumulados, diante de uma média de 83,7 mm para o mês todo — o maior registro da série iniciada em 1961. Também já passaram do esperado para setembro a Baixada Santista, o Vale do Paraíba, na região de São José dos Campos, e as regiões de Bauru, Itapeva, Registro e da Serra da Mantiqueira.

Os temporais, em alguns pontos com vento e granizo, provocaram enchentes, alagamentos e desmoronamentos em várias regiões, e houve mortes. No Vale do Ribeira, Eldorado somou 118,9 mm em 72 horas. Pelos dados da Agência de Águas do Estado de São Paulo, o Rio Ribeira de Iguape saiu de 2,6 metros na quinta-feira (10) para 11,1 metros no domingo (13), e centenas de moradores de Eldorado e Registro tiveram de deixar suas casas. Em Salto, o Tietê corre a 652 m³ por segundo desde a madrugada de segunda-feira (14), quando a vazão habitual oscila entre 30 m³ e 250 m³.

Na capital, os 75,4 mm registrados entre sexta (11) e sábado (12) foram o maior acumulado em 24 horas do país. Os números do mês variam conforme quem mede: o Centro de Gerenciamento de Emergências da prefeitura contava 211,6 mm até o dia 13, mais de 220% da média, o que coloca este setembro em quarto lugar no Mirante de Santana desde 1943; o Instituto Nacional de Meteorologia aponta 224 mm, o segundo setembro mais chuvoso, atrás apenas de 1983, com 243 mm.

Ao Estadão, o diretor de comunicação da Defesa Civil paulista, Maxwell Souza, lembrou que, entre agosto e setembro de 2024, o estado enfrentava estiagem forte e os piores incêndios de sua história. Para ele, o quadro deve se agravar: "O pior pico será no fim do ano, com a forte atuação do El Niño", disse, prevendo temperaturas acima da média e temporais irregulares.

O climatologista José Antônio Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), afirmou ao jornal que o fenômeno já está instalado: o aquecimento no Pacífico Equatorial passou de 1,8 °C de anomalia, e a marca de 2 °C, que caracteriza um El Niño muito forte, é esperada entre o fim deste ano e o começo do próximo. Boletim do Cemaden divulgado em agosto indicava 100% de probabilidade de o fenômeno durar até pelo menos o início de 2027. Marengo ressalvou que não existe relação estatística entre El Niño e tornados — o efeito esperado é de chuva mais intensa, principalmente no Sul.

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