Pular para o conteúdo
Hub News
Política Paraná

STF investiga se Moro extrapolou competência quando era juiz em Curitiba

Toffoli autorizou em dezembro de 2025 busca e apreensão na 13ª Vara Federal; o candidato ao governo do Paraná nega ilegalidades e diz que seguiu a jurisprudência da época.

Por Hub News

Atualizado em

Compartilhar:
Telegram Enviar por e-mail Imagem para story Imagem para feed
Imagem ilustrativa: Prédio do Supremo Tribunal Federal, projeto de Oscar Niemeyer
Foto: Alex Pereira via Wikimedia Commons (Public domain)

Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná que aparece à frente nas pesquisas, é alvo de uma investigação aberta no Supremo Tribunal Federal sobre a sua conduta nos 22 anos em que foi juiz — parte deles no comando da vara federal de Curitiba que concentrou os processos da Operação Lava Jato. Pesam sobre ele acusações de ter extrapolado a própria competência ao determinar ou conduzir diligências contra pessoas que, pelo cargo que ocupavam, só poderiam ser investigadas por tribunais superiores. Nenhuma delas está comprovada: é justamente o que a apuração ainda precisa esclarecer.

Em dezembro de 2025, o ministro Dias Toffoli autorizou uma busca e apreensão dentro da própria 13ª Vara Federal de Curitiba, cumprida pela Polícia Federal. A medida, tida como excepcional, veio depois de a unidade judicial deixar de enviar documentos e mídias pedidos repetidas vezes pelo Supremo. Toffoli havia determinado que fossem reunidos processos e arquivos de 18 ações que tramitaram ali, boa parte delas antiga.

As acusações partem do depoimento do empresário e político Tony Garcia, preso por ordem de Moro numa investigação sobre o Consórcio Garibaldi e, depois, autor de um acordo de colaboração firmado em 2004 sob a condução do então juiz. Em março de 2021, ouvido pela juíza Gabriela Hardt, que sucedeu Moro na vara, Garcia afirmou ter agido como uma espécie de agente infiltrado a serviço do juiz e do Ministério Público Federal, muito além do que previa o acordo. O relato só ganhou impulso dois anos mais tarde, com a chegada de Eduardo Appio ao comando da unidade, quando o caso passou às mãos da Procuradoria-Geral da República e da PF. O material apreendido continua em análise.

Em reportagem de Daniela Lima publicada pelo UOL no começo deste ano, entre o material localizado na vara aparecem transcrições de escutas. Elas alcançam políticos com foro privilegiado e também desembargadores do TRF-4 — e os grampos contra esses magistrados teriam partido de outro colaborador da unidade, o advogado Sérgio Costa.

O que Moro responde

Moro nega ilegalidades. Segundo o Bem Paraná, ele declarou publicamente em outubro de 2023 nunca ter autorizado "gravação ou medida investigatória contra magistrados" da Justiça Federal, do TRF-4 ou do STJ. Ainda segundo o Bem Paraná, documentos localizados depois na vara põem essa versão em xeque, porque neles o então juiz assina despachos que determinam ou sugerem interceptações de pessoas com foro privilegiado. O senador diz não ter tido acesso aos autos do inquérito, classifica os relatos como "fantasiosos" e sustenta que, no período de 2004 a 2006, a jurisprudência e as práticas então vigentes autorizavam o que foi feito.

A apuração ainda precisa estabelecer quais autoridades foram efetivamente monitoradas, quem determinou cada diligência, que destino teve o material produzido e se o que o então juiz mandou fazer cabia na competência de uma vara de primeira instância.

  • Sergio Moro
  • Supremo Tribunal Federal
  • 13ª Vara Federal de Curitiba
  • Lava Jato
  • Dias Toffoli
  • Eleições 2026 no Paraná
  • Foro privilegiado
  • Tony Garcia

Encontrou alguma informação incorreta?

Nos ajude a manter o conteúdo correto.

Você marcou muitas publicações em pouco tempo. Espere um minuto e tente de novo.

Comentários

Nenhum comentário ainda.

Imagens dos leitores

Ainda não há fotos desta publicação. Se você esteve lá, mande a sua.

Leia em outras fontes

O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.