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Obras e infraestrutura Paraná

Paraná cobra contornos ferroviários de Curitiba na consulta da ANTT

O prazo para enviar contribuições sobre o novo contrato da rede de 4.250 quilômetros termina em 30 de setembro, e o corredor que liga o estado a Santa Catarina concentra 78% da carga da malha.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Vagões de carga em pátio ferroviário à noite
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Al3xanderD via Pixabay

Quem quiser opinar sobre o futuro da principal rede ferroviária do Sul tem pouco mais de uma semana para fazê-lo. A audiência pública nº 11/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que trata do novo contrato da Malha Sul, recebe contribuições até as 23h59 do dia 30 de setembro — prazo já prorrogado uma vez pela agência.

Estão em discussão cerca de 4.250 quilômetros de trilhos, organizados em três corredores que atravessam o Paraná, Santa Catarina, o Rio Grande do Sul e São Paulo. Os estudos colocados em consulta calculam R$ 14,4 bilhões em investimentos e R$ 38,5 bilhões em custos de operação ao longo dos 30 anos previstos para o contrato.

O corredor que serve o estado

Um desses corredores é o eixo entre o Paraná e Santa Catarina, e é ele que concentra o essencial da operação: 78% de tudo o que a Malha Sul movimenta hoje passa por ali, em 1.502 quilômetros de linha que desembocam nos portos de Paranaguá e de São Francisco do Sul. Os estudos projetam para esse trecho investimentos da ordem de R$ 4,7 bilhões, com capacidade para 32,6 milhões de toneladas por ano.

A carga prevista é a do agronegócio e da indústria da região — fertilizantes na ida, celulose, açúcar e grãos na volta, além de contêineres.

O que o Paraná pede

Segundo o HojePR, o estado aproveita a consulta para cobrar obras que considera estratégicas. Na lista estão os contornos ferroviários Leste e Oeste de Curitiba, um novo traçado para a travessia da Serra da Esperança e a ampliação de pátios ao longo da linha.

O pedido dos contornos tem uma razão prática. A capital convive com mais de 40 quilômetros de ferrovia de carga dentro da malha urbana — trecho onde foram contabilizados 152 acidentes entre 2021 e 2024, com 27 mortes.

Mais trem não significa menos caminhão

Para o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar), uma ferrovia mais eficiente tende a aumentar, e não a reduzir, o serviço rodoviário: o trem liga terminal a terminal, e alguém tem de levar a carga da lavoura ao pátio e do pátio à fábrica. Segundo o Bem Paraná, o presidente da entidade, Silvio Kasnodzei, resumiu que "mais carga no trilho significa, necessariamente, mais operação rodoviária nas pontas", com serviços de transbordo, armazenagem e distribuição a partir dos pontos de desembarque.

O sindicato ressalva que esse ganho depende de obras fora dos trilhos — acessos aos terminais, áreas de espera para caminhões, contornos urbanos e agendamento de carga e descarga. "Sem isso, o ganho de eficiência conquistado no trilho se perde na fila do portão", afirmou Kasnodzei ao mesmo veículo.

O prazo importa porque o desenho que sair daí vale por três décadas. O contrato em vigor termina em fevereiro de 2027, e, fechada a fase de contribuições, a proposta ainda passa pela análise da própria ANTT e pelo exame do Tribunal de Contas da União.

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