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Saúde Paraná

Laboratório da UEL usa óleo de cozinha e cascas de frutas para buscar antivirais

Projeto da Universidade Estadual de Londrina recebeu bolsas do CNPq e testa moléculas produzidas por fungos e bactérias contra herpes, gripe, covid-19 e o vírus da bronquiolite infantil.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Close-up de laboratório de mãos com luvas segurando uma placa de Petri com líquido rosa usando uma pipeta.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Edward Jenner / Pexels

Um laboratório da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está usando resíduos que iriam para o lixo — óleo de fritura já utilizado, além de cascas e sementes de frutas amazônicas — como ponto de partida para desenvolver substâncias capazes de combater vírus. O projeto, conduzido no Laboratório de Virologia Básica e Aplicada (Lavir) sob a coordenação da professora Lígia Carla Faccin-Galhardi, foi contemplado pelo CNPq com bolsas de Produtividade em Pesquisa e de Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora.

Os resíduos não viram remédio diretamente. Eles servem de alimento para fungos e bactérias que, ao consumir as gorduras, os açúcares e os minerais desse material, fabricam moléculas com possível efeito antiviral. Com isso, o grupo deixa de depender de reagentes sintéticos, mais caros e poluentes. A partir dessas moléculas, a ideia é chegar a protótipos de medicamentos, de produtos sanitizantes e de defensivos agrícolas.

O trabalho segue o conceito de saúde única, que trata como interligadas a saúde das pessoas, dos animais e das plantas e a preservação do ambiente.

Testes contra quatro vírus

Em laboratório, os compostos são avaliados contra o vírus do herpes (HSV), o RSV, que causa bronquiolite em crianças, o influenza A e o Sars-CoV-2, responsável pela covid-19. Mais recentemente, a equipe incluiu vírus que atacam lavouras, em busca de alternativas menos agressivas ao ambiente. Técnicas de nanotecnologia verde são usadas para deixar as substâncias mais estáveis e ampliar sua ação.

Segundo a Tribuna do Paraná, a pesquisadora relatou que os resultados preliminares indicam que parte das moléculas age sobre vírus diferentes e por mais de um mecanismo. Na avaliação dela, isso reduziria o risco de resistência, problema frequente em remédios que miram um único ponto do vírus.

Da patente à farmácia

O Lavir já registrou 17 patentes, mas levar essas soluções às farmácias e ao SUS ainda esbarra em obstáculos. À Tribuna, Lígia afirmou que o gargalo não está na capacidade de criar, e sim na falta de investimento para que os estudos avancem à escala industrial e à validação regulatória. Por isso, o grupo procura parceiros na indústria dispostos a assumir a produção.

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