Denúncia no TCU mira mudança no estatuto da Fiep a um mês da eleição
Candidato do PSD ao governo estadual pede que o tribunal investigue a retirada da quarentena de cinco anos e cinco contratos do Sistema Fiep que somam cerca de R$ 11,27 milhões.
Até 26 de agosto, o estatuto da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) fechava as portas da entidade por cinco anos a quem renunciasse ou perdesse o mandato — inclusive para funções de representação. Naquele dia, uma assembleia geral extraordinária abriu uma exceção, e é ela que o Tribunal de Contas da União (TCU) foi chamado a examinar, em denúncia assinada por Sandro Alex (PSD), candidato ao governo estadual.
A brecha alcança dois casos: a renúncia e a saída provocada por incompatibilidade com atividade política. São as duas hipóteses que descrevem o afastamento de Edson Vasconcelos, eleito para presidir a federação no período 2023-2027. Ele deixou a cadeira em março deste ano, ao se filiar ao PL para disputar a vice-governadoria na chapa de Sergio Moro (PL). Para a denúncia, a mudança foi desenhada sob medida para permitir que ele volte ao comando da entidade.
A votação aconteceu a pouco mais de um mês da eleição, enquanto a própria federação realizava a Expo+Indústria, em Pinhais. Segundo a Folha de Londrina, os advogados que representam o candidato do PSD sustentam que a assembleia foi apressada para caber no prazo previsto nas regras internas.
Um segundo bloco da denúncia trata de dinheiro. São cinco contratos do Sistema Fiep — que reúne Sesi, Senai e IEL — ligados aos Fóruns Regionais da Indústria de 2025, com valor aproximado de R$ 11,27 milhões e execução registrada acima de R$ 5,18 milhões. O maior deles, de R$ 6 milhões, cobre serviços de live marketing. Outro, de R$ 2,27 milhões, pagou a locação de tendas e demais montagens. Há ainda R$ 1,9 milhão reservado à realização dos encontros, incluindo refeições; R$ 600 mil de mídia para o projeto "Momento Indústria"; e R$ 496,1 mil em anúncios de rádio.
Os fóruns entram na peça por outro motivo: Moro esteve em praticamente todos eles no ano passado. No encontro de Irati, o senador falou de sua atuação política e das demandas que havia recolhido nas cidades por onde passou. A denúncia admite que cada contrato, isolado, pode corresponder a comunicação institucional legítima, e pergunta se essa estrutura de mídia e eventos ficou separada das aparições que deram visibilidade ao pré-candidato e ao então presidente da federação. Ao tribunal, pede a preservação dos registros da assembleia e dos fóruns e a checagem da origem dos recursos.
Em nota, a Fiep informou que soube da denúncia, mas ainda não foi formalmente citada para se manifestar. A entidade afirmou reunir documentação capaz de demonstrar a regularidade das decisões estatutárias, dos eventos e dos contratos, e disse que aguardará a notificação oficial antes de discutir o mérito. A federação também lamentou que o conteúdo de um processo em sigilo tenha chegado à imprensa antes de ela ser comunicada.
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