Atropelamento de animais deixa dois mortos em rodovias do Paraná
Foram 37 ocorrências entre janeiro e agosto, contra 68 em todo o ano passado; o DER prepara o relançamento de um programa de inspeção e apreensão de animais soltos na pista.
Duas pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas em acidentes provocados pela presença de animais nas rodovias estaduais do Paraná entre janeiro e agosto deste ano. O período soma 37 ocorrências, segundo levantamento do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), da Polícia Militar, divulgado à Tribuna do Paraná. Em todo o ano de 2025 houve 68 acidentes, com três mortes e 39 feridos.
O caso mais recente com vítima fatal é do dia 13 de setembro. Um motorista de 22 anos atropelou um cavalo no km 19 da PR-456 e bateu contra o muro de uma subestação de energia. Ele seguia de Pitanga para Santa Maria do Oeste e morreu no local.
A maior parte dos atropelamentos acontece à noite, quando os hábitos de várias espécies coincidem com a pior visibilidade de quem dirige. Em entrevista à Tribuna do Paraná, o cofundador do Observatório Nacional de Segurança Viária, Mauro Gil Meger, disse que dados do Ipea colocam esse tipo de colisão em torno de 2% das ocorrências nas rodovias federais, mas que se trata de "um acidente evitável na quase totalidade dos casos". O risco de morte é maior para motociclistas quando o animal é de grande porte, e não se resume à fauna silvestre: cães soltos e gado na pista respondem por parcela expressiva dos acidentes com vítimas.
O que o Estado prepara
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pelas estaduais que não estão concedidas à iniciativa privada, informou em nota à Tribuna do Paraná que mantém placas de alerta nos trechos rurais e cataloga o comportamento dos animais em um plano de fauna elaborado junto com o projeto executivo de cada obra. O órgão também pretende relançar em toda a malha estadual um programa de operação de tráfego que prevê vistoria de pontos críticos, sinalização temporária e apreensão de animais soltos, além de gerar estatísticas dos locais onde os atropelamentos se repetem. Meger avalia que falta ao país um cadastro nacional unificado desses casos: sem dado consolidado, não há como priorizar investimento.
Nos trechos já concedidos, a EPR Iguaçu tem 14 passagens de fauna previstas em contrato — nove delas na BR-277, e as demais divididas entre as estaduais PR-483, PR-182 e PR-280. A concessionária também desenvolve, com a UFPR e o Lactec, um sistema para identificar animais perto da pista e avisar os motoristas, ainda em alinhamento técnico. Na EPR Paraná, estão previstas oito passagens, a partir do terceiro ano de contrato.
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