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Polícia Civil aponta demora do Discord em derrubar salas com crime ao vivo

Relatório do Núcleo de Observação e Análise Digital analisou 63 pedidos de urgência e achou respostas que levaram até 17 dias; o documento foi enviado ao Ministério Público.

atualizado em 11/09, 14:00 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Close-up de uma mão segurando um smartphone com um aplicativo de mensagens aberto, iluminada pela luz da tela.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: RDNE Stock project / Pexels

Pedidos de urgência feitos pela polícia para tirar do ar salas de conversa em que crimes estavam sendo cometidos ficaram dias sem resposta no Discord. O prazo mais longo registrado chegou a 17 dias. A conclusão é de um relatório da Polícia Civil de São Paulo, assinado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital, o Noad, e obtido pela Folha de S.Paulo. O documento fala em padrão consistente de omissão operacional por parte da plataforma.

Os investigadores percorreram 63 comunicações emergenciais e requisições enviadas à empresa entre maio de 2025 e janeiro de 2026. O que estava em jogo nesses alertas ia de ataques a escolas a planos de atear fogo em pessoas em situação de rua. Havia ainda tortura de bichos exibida ao vivo, incitação ao suicídio em transmissão aberta e imagens íntimas de adolescentes vazadas para servir de chantagem.

A média de atendimento ficou em 17 horas, mas os extremos é que preocupam. Uma sala usada para estupros virtuais e automutilação só caiu depois de 190 horas, quase oito dias. Um pedido de julho de 2025, para remover um ambiente dedicado à matança de gatos, levou 16 dias e 18 horas até receber resposta — e a resposta foi a recusa. Um alerta enviado em 4 de agosto sobre maus-tratos transmitidos ao vivo seguia sem qualquer retorno quando o relatório foi fechado.

O argumento do Noad é que a demora não é só burocracia: enquanto a sala continua no ar, o crime segue acontecendo em tempo real, a audiência permanece, o conteúdo se espalha e a vítima fica exposta por mais tempo.

Há ainda uma segunda queixa, sobre identificação de quem está do outro lado. Segundo o documento, a plataforma tem entregado apenas o endereço IP no formato IPv4, sem a porta lógica de origem — dado que a polícia considera necessário para chegar ao usuário.

O relatório foi encaminhado neste mês ao Ministério Público de São Paulo, à Agência Nacional de Proteção de Dados e à Advocacia-Geral da União. Procurado por e-mail pela reportagem, o Discord não respondeu. A empresa já declarou antes que material ilegal ou abusivo não é aceito em seu ambiente, e que a segurança se apoia em três frentes: filtros automáticos, o que os próprios usuários denunciam e o contato com as autoridades.

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