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PIB cresce 0,5% no 2º trimestre, mas consumo das famílias recua

O resultado veio acima do esperado, mas indústria e serviços perderam ritmo, e o endividamento das famílias chegou a 82% em julho, com a Selic ainda em 14% ao ano.

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Imagem ilustrativa: Mão aproximando um cartão de crédito de uma máquina de pagamento no balcão de uma loja.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Mikhail Nilov / Pexels

A economia brasileira cresceu 0,5% entre abril e junho, na comparação com o trimestre anterior. O IBGE divulgou o número na terça-feira (1º), e ele veio melhor do que o mercado esperava: as projeções ficavam entre 0,3% e 0,4%.

O detalhe está em como esse crescimento se distribuiu. O consumo das famílias, que costuma puxar a atividade, caiu 0,4%. A indústria praticamente parou, com avanço de 0,1% contra 1,2% no trimestre anterior. E os serviços, que respondem por cerca de 70% da economia, subiram 0,2%, metade do ritmo dos três meses anteriores.

O pano de fundo é o custo do dinheiro. Mesmo com o Banco Central tendo começado a cortar, a taxa básica segue em 14% ao ano, o que mantém o crédito caro e adia decisão de compra e de investimento. Do outro lado, o endividamento das famílias bateu 82% em julho, segundo a Confederação Nacional do Comércio — o sexto mês consecutivo de recorde.

À CNN Money, Juliana Trece, coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre, afirmou que a composição do PIB deixa isso evidente: o consumo das famílias, historicamente resistente, começa a sentir as condições financeiras. Para ela, os dados confirmam que a economia entrou em desaceleração e devem seguir pressionando a atividade nos próximos meses.

Nem tudo empurra para baixo. Analistas ouvidos pela emissora apontam que o mercado de trabalho aquecido e o crescimento da renda ainda sustentam parte da demanda, o que limita uma queda mais forte no segundo semestre.

Para o bolso de quem vai financiar casa, carro ou reforma, o que importa é o próximo passo dos juros. O Boletim Focus de segunda-feira (31) mostra o mercado apostando que a taxa termine o ano em 13,75%, contando com mais um corte de 0,25 ponto na reunião de setembro do Copom.

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